Etiènne Hajdu (1907-1996)
Tête, 1975 / Inv. EE30
Exposição dedicada à obra do escultor francês, de origem romena, Étienne Hajdú (1907-1996), membro do círculo próximo do pintor Arpad Szenes e da pintora Maria Helena Vieira da Silva. A iniciativa decorreu de uma parceria cultural entre os governos de Portugal e França, com o patrocínio da Association Française d’Action Artistique, ficando a organização da exposição a cargo da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), sob as indicações da comissária da exposição, a conservadora do Museu Nacional de Arte Moderna de Paris, Nicole Barbier.
A exposição teve ainda uma comissão de honra constituída por instituições de cada um dos países organizadores: os Ministérios dos Negócios Estrangeiros de França e de Portugal, o Ministério dos Assuntos Culturais de França, o Ministério da Educação de Portugal e as embaixadas dos dois países.
A proposta surgiu da iniciativa da Embaixada de França em Portugal, depois de se ter realizado no ano anterior (1973) uma importante exposição retrospetiva da obra de Étienne Hajdú no Museu Nacional de Arte Moderna de Paris. A ligação de Hajdú a Portugal estreitava-se nestes anos pelas sucessivas visitas realizadas pelo escultor, entre 1966 e 1970, em grande parte motivadas pela qualidade do mármore português, em especial o da região de Estremoz, que lhe serviu de matéria-prima na execução de algumas das suas obras.
Foi ainda possível apurar, na documentação consultada, a doação feita pelo artista à FCG de uma obra «executada em mármore de Estremoz com 70 cm de altura» (Ribeiro, Dossiê de Aquisições e Doações, 12 nov. 1976, Arquivos Gulbenkian).
Na opinião do historiador e crítico de arte José-Augusto França, a exposição pretendia valorizar artistas da reconhecida «Escola de Paris» (Colóquio/Artes, abr. 1974, p. 68).
Prevista para o dia 5 de abril de 1974, a inauguração acabou por ser adiada para dia 8 desse mês, devido à morte do antigo presidente francês Georges Pompidou e à consequente ausência dos representantes oficiais franceses que iriam presidir ao evento.
Étienne Hajdú esteve presente na inauguração da exposição, que integrou 91 peças, essencialmente esculturas, mas também desenhos, aguarelas, cunhos e cerâmicas, realizadas no período entre 1936 e 1973, em materiais tão diversos como o cobre, o mármore, o bronze, o alumínio e o poliéster.
A comissária da exposição referir-se-ia à importância do desenho na obra de Hajdú, dizendo que «os desenhos são numerosos na sua obra, pois gosta de anotar rapidamente no papel as formas que lhe vêm ao espírito retomando-as muitas vezes nas suas esculturas» (Etienne Hajdu, 1974).
Esteve ainda prevista a realização de uma conferência dedicada à obra do escultor, assim como um ciclo de visitas orientadas por especialistas convidados, realizando-se, destas, apenas uma visita mediada pelo arquiteto Mário de Oliveira. Note-se que a programação complementar à exposição coincidiu temporalmente com a revolução do 25 de Abril de 1974, cujo clima de agitação poderá ter influenciado o cancelamento dos eventos de extensão cultural anteriormente previstos.
Este «acontecimento cultural e artístico de nível internacional» (Navarro, Época, 15 abr. 1974) teve grande acolhimento junto do público, contando com elogiosas críticas na imprensa nacional. Foi igualmente bastante realçado o papel da FCG na organização e montagem. Nas palavras do arquiteto Mário de Oliveira, «mais uma vez os serviços de montagem da Gulbenkian foram impecáveis na disposição espacial de cada obra, facto importantíssimo para uma boa análise em relação ao adequado ângulo de visão» (Diário de Notícias, 18 abr. 1974).
Luís d’Oliveira Nunes corroboraria esse ponto de vista ao afirmar: «Fiel ao seu ecléctico programa, o Serviço de Belas-Artes daquela instituição continua a manter um trabalho de alto nível, que vem possibilitando ao nosso público e aos nossos artistas um precioso contacto com as mais significativas expressões das artes visuais.» (Nunes, Diário de Notícias, 9 abr. 1974)
A documentar a exposição, foi ainda realizada uma reportagem cinematográfica pela produtora Objectiva Cine.
Filipa Coimbra, 2016
Tête, 1975 / Inv. EE30
Tête, 1975 / Inv. EE30