Escultura e Desenho de Emilio Greco
1963
A realização de uma exposição de obras de Emilio Greco (1913-1995) foi proposta pelo Istituto Italiano di Cultura em Portugal (IICP) à Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) em 1963. Nas palavras do presidente da FCG, José de Azeredo Perdigão, constituiu um evento do «maior interesse, tanto mais que se trata, essencialmente, de obras de escultura» (Ata de Reunião do Conselho de Administração, 2 jul. 1963, Arquivos Gulbenkian, SBA 15340). Esta intenção de dar prioridade a uma exposição de escultura é também mencionada por Artur Nobre de Gusmão: «Entre nós, como no estrangeiro, multiplicam-se as exposições de pintura, sendo bem mais raras as de escultura. Por outro lado, e por fenómeno associado, é abundantíssima e acessível a série de reproduções de obras de pintura que invadem todos os mercados, muito ao contrário do que se passa com a escultura. Por fim e para não apontarmos senão razões de maior importância, a apresentação, em Lisboa, de obras de um escultor de nomeada, como é Emilio Greco, é contribuição geral para uma actualização e para um conhecimento, mas é também contribuição particular e importante para os nossos escultores.» (Apontamento do Serviço de Belas-Artes, 20 mar. 1963, Arquivos Gulbenkian, SBA 15340)
Esta mostra deu a ver um total de 57 obras de escultura e desenho de Emilio Greco, produzidas entre 1947 e 1962. Foi ainda apresentado um filme a cores sobre o escultor, com a duração de doze minutos (Carta de Guido Burgada para José de Azeredo Perdigão, 17 mai. 1963, Arquivos Gulbenkian, SBA 15340). A intenção do Serviço de Belas-Artes da FCG e de Guido Burgata, diretor do IICP e organizador desta exposição, era a de divulgar em Portugal a obra deste «artista verdadeiramente significativo da escultura italiana contemporânea» (Escultura e Desenho de Emilio Greco, 1963).
A FCG revelou interesse em adquirir uma das peças expostas, contudo essa intenção não foi concretizada por não ter sido possível acertar um preço «satisfatório» relativamente a «um trabalho ao qual [o artista] teria renunciado com muita pena, sendo seu desejo apresentá-lo noutras exposições» (Carta de Guido Burgata para Artur Nobre de Gusmão, 1 ago. 1963, Arquivos Gulbenkian, SBA 15340).
Joana Baião, 2014