104 Gravuras de Edvard Munch
1978
Exposição da obra gráfica do pintor norueguês, precursor do expressionismo alemão, Edvard Munch (1863-1944), organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), em parceria com a Embaixada da Noruega em Portugal e com o Munchmuseet, em Oslo.
Considerado um dos artistas mais importantes e celebrados da vanguarda intelectual e artística de Berlim do século XX, a oportunidade de patentear um importante e representativo acervo da obra gravada de Munch não passou despercebida à Fundação Calouste Gulbenkian, que, desse modo, contribuía para um melhor conhecimento e divulgação do artista em Portugal.
Segundo Fernando de Azevedo, o «amor» e a «morte» representavam em Edvard Munch «os dois pontos altos por onde passava a curva dramática da vida humana. Sempre presentes um e outro como fins últimos, como destino. […] Toda a obra de Munch, tão profundamente influenciadora de um outro lado da arte moderna, vai de um destes pontos ao outro, formulando sempre a mesma meditação metafísica e inquietante em qualquer ponto de passagem da curva: a interrogação sobre o sentido da vida» (Azevedo, Colóquio/Artes, mar. 1978).
A exposição foi pensada para coincidir com a visita a Portugal do rei Olavo V, que esteve presente na inauguração. Contou com 104 obras de gravura, xilogravura e litografia, sendo o mesmo conjunto de peças, mais tarde, exibido em Graz (Áustria) e em Augsburgo (Alemanha).
Acerca das gravuras selecionadas para a mostra, Alf Bøe, diretor do Munchmuseet e colaborador na organização da exposição, afirmou representarem a excelência do trabalho gráfico de Munch: «I may assure you that it is in itself of high quality, and covers the entire range of Munch’s work as a graphic artist.» (Carta de Alf Bøe para José Sommer Ribeiro, dez. 1977, Arquivos Gulbenkian, SEM 00120)
O catálogo da exposição integrou um extenso texto biográfico e de análise crítica, assinado por Gerd Woll, historiadora e especialista na obra de Edvard Munch, à data curadora-sénior no Munchmuseet.
A exposição em Lisboa teve uma excelente receção por parte do público, tanto o especializado como o público em geral, como o comprovam as críticas associadas à exposição e ainda o número de visitantes (cerca de 11 600) que acorreram à Galeria de Exposições Temporárias da FCG para contemplar as gravuras de Munch.
Pela sua importância histórica e artística e pela forte adesão do público, o Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, proporia à FCG que as obras de Munch fossem seguidamente apresentadas naquele museu. O pedido não obteria uma resposta favorável, pois, em virtude de compromissos já assumidos pela FCG, a exposição seguiria para Graz, onde seria inaugurada a 21 de março.
Após a montagem da exposição na FCG, Alf Bøe, satisfeito com a parceria entre as duas instituições, escreveu um ofício dirigido à Presidência da Fundação Calouste Gulbenkian no qual felicitava a concretização da iniciativa: «A few words to thank you for the hospitality which was extended to the Munch exhibition by the Gulbenkian Foundation. As you probably well know, it is a pleasure to hang in your very good exhibition rooms, where things invariably look good and where an exhibition is easily into its proper sequences.» (Carta de Alf Bøe para José de Azeredo Perdigão, mar. 1978, Arquivos Gulbenkian, SEM00120)
Joana Brito, 2016