Vasco Costa (1917-1986)
A IV, 1968 / Inv. 69P751
Primeira exposição individual de Vasco Costa (1917-1986), realizada em Paris, à qual se seguiu, passado um mês, a sua primeira mostra individual em Portugal, na Galeria Buchholz, em Lisboa. Seria também nesse ano de 1969 que o artista viria a ser galardoado com um dos prémios do Banco Português do Atlântico (BPA).
Praticamente desconhecido até então, e a residir nos arredores de Paris, o pintor Vasco Costa foi convidado pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) a expor na sua delegação naquela cidade, uma exposição comissariada pelo historiador de arte José-Augusto França.
Contando com o projeto museográfico e a montagem dirigidos pelo pintor Paulo Ferreira, esta exposição, que cumpria o propósito da divulgação dos artistas portugueses em França, procurou evidenciar o percurso artístico de Vasco Costa desde o seu período figurativo, destacado pelo retrato de Hélen (1941), passando gradualmente para o abstracionismo (lírico e expressionista), presente nas suas Paisagens Interiores (1968). Nas palavras do comissário da exposição, «Vasco Costa foi o primeiro português a realizar um expressionismo abstracto, nele deslizando o efeito de um gosto informado por uma sensibilidade afim do impressionismo» (França, 1970, p. 638).
Os trabalhos expostos revelavam uma permanente luta entre a «impressão» e a «expressão», o que refletia problemáticas disciplinares partilhadas por outros artistas. Deste modo, apesar da dimensão nacional da pintura de Vasco Costa, a sua obra era «tratada num plano internacional» (Ibid.).
O catálogo da exposição integrou um ensaio da autoria do comissário José-Augusto França, bem como a contribuição do crítico de arte francês Henry Galy-Carles, que produziu um texto sobre a obra do pintor português, elaborando uma análise detalhada das obras em exposição.
Filipa Coimbra, 2016
A IV, 1968 / Inv. 69P751