As raízes arménias no império otomano

A forte ligação às origens

Calouste nasceu a 23 de março de 1869, em Scutari (atual Uskudar), perto de Istambul, local de residência de muitas famílias de origem arménia. Filho de Sarkis e Dirouhie Gulbenkian, diz-se que era descendente dos príncipes de Rechdouni que tinham antigas propriedades feudais, na Grande Arménia, região que marcou a história arménio-bizantina até ao séc. X.

No século seguinte, no reinado de Sénékérin de Vaspourakan, os Príncipes de Rechdouni e os seus familiares estabeleceram-se em Cesareia da Capadócia, um dos mais antigos berços do cristianismo oriental, e adotaram o nome de família Vart Badrik, título nobiliário bizantino. Este nome de família seria adaptado, com a chegada dos Otomanos ao poder, para a forma turca de Gulbenkian.

Os Arménios desempenharam um papel determinante no Império Otomano, quer no campo económico e financeiro, quer nas artes. A família Gulbenkian destacar-se-ia ainda pela sua generosidade.

Desde 1800, as sucessivas gerações Gulbenkian sempre se mostraram muito generosas para com as comunidades arménias do Império otomano, onde a família tem as suas raízes.

Os Gulbenkian empenharam-se em várias ações de cariz filantrópico, a favor dos seus compatriotas otomanos, como a criação de hospitais, escolas, igrejas, auxílio a artistas e intelectuais, distribuição de alimentos em tempo de crise, entre outras iniciativas.

Calouste não fugiu à tradição familiar e manteve, a par da filantropia, uma forte ligação às raízes.

A sua relação com o império otomano serviu-lhe de barómetro na sua “arquitetura geopolítica”, aquando da grande corrida das nações ao petróleo, tendo conciliado os interesses do ocidente e do oriente com sabedoria.

Depois de já ser um empresário de sucesso, Calouste dedicou sempre grande afeto ao povo arménio e fez questão de ajudar as comunidades espalhadas pelo mundo com generosas contribuições financeiras, destinadas sobretudo a escolas, igrejas e hospitais, como o S. Pirgiç, em Istambul, onde se encontra o jazigo dos seus pais.

Ele próprio mandou construir a igreja de S. Sarkis, em Londres, e concedeu importantes donativos para o restauro da catedral de Etchmiadzine, na Arménia, e a biblioteca do Jerusalem Armenian Patriarchate.

Em 1930, assumiu o cargo de Presidente da União Geral Beneficente Arménia, a AGBU.

Em homenagem ao seu fundador, dois executores do testamento, Kevork Essayan, genro de Calouste Gulbenkian, e Azeredo Perdigão, primeiro Presidente da Fundação, criaram em 1956 o Serviço das Comunidades Arménias, então apelidado de Serviço do Médio-Oriente, cujo objetivo principal é a difusão da educação e da cultura arménia por todo o mundo. O Conselho de Administração inclui ainda, por tradição, um membro pertencente à família Gulbenkian, atualmente assegurado pelo seu bisneto Martin Essayan.