A vida em Lisboa

A filantropia

Conta-se que teria conhecido em Vichy o embaixador de Portugal, que elogiava os encantos do seu pacífico país. Por isso, ao fugir da guerra, Calouste ruma a Lisboa em abril de 1942. Faz-se acompanhar pela mulher Nevarte, a secretária e dama de companhia, Mme Theis, o seu massagista e o chefe de cozinha oriental. Tinha 73 anos.

Instalar-se-ia no célebre Hotel Aviz, na companhia de cerca de uma dúzia de gatos e dos pássaros que adorava, e nunca chegaria a partir.

No final da guerra, Nevarte regressa a Paris. Calouste faz várias viagens à capital francesa, mas mantém sempre residência no Hotel Aviz. Sentia-se bem acolhido em Portugal e durante a sua estada fez importantes doações ao Museu Nacional de Arte Antiga.

Parte das suas coleções haviam sido transferidas para os Estados Unidos e o governo americano chegara a propor-lhe a construção de um museu em Washington.

Em 1953, já com 84 anos, decide criar por testamento uma fundação com sede em Lisboa, à qual legaria a sua fortuna e as suas obras de arte.

Calouste Gulbenkian morre em Lisboa, no Hotel Aviz, em 1955 e, um ano depois, são aprovados por decreto-lei os estatutos da Fundação Calouste Gulbenkian.

Para que a Fundação se erguesse num local central, espaçoso e acessível ao público, foi adquirido o Parque de Santa Gertrudes, junto à Praça de Espanha. O projeto dos edifícios ficou a cargo de três arquitetos: Ruy d’Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, e o projeto do jardim a cargo dos paisagistas António Vianna Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles.

Enquanto decorriam os trabalhos de construção da Fundação, as obras de arte, que entretanto chegavam de Paris e dos EUA, eram conservadas no Palácio dos Marqueses de Pombal, em Oeiras, adquirido para esse efeito.

A 2 de outubro de 1969 são finalmente inaugurados a Sede da Fundação e o Museu Calouste Gulbenkian. Além da exposição permanente das obras da coleção do Fundador e da Coleção Moderna (adquirida até aos nossos dias), o Museu apresenta ainda exposições temporárias e muitas outras iniciativas de prestígio, o que lhe assegurou o reconhecimento internacional.

A par do Museu, a Fundação dispõe de uma Biblioteca de Arte, de uma Orquestra e de um Coro.

Em 2011, o Edifício Sede e os jardins foram classificados como monumento nacional.

A Fundação Calouste Gulbenkian representa uma viragem decisiva na vida cultural portuguesa. A sua atividade, em Portugal, junto das comunidades arménias, e em mais de uma centena de países em todo o mundo, desdobra-se por múltiplas iniciativas e apoio a projetos de natureza científica, educacional, artística e social, cumprindo largamente o propósito das quatro finalidades que o fundador lhe destinou.