A vida em Paris

A paixão pela arte

No início do séc. XX, Paris era o centro mundial das artes, da cultura e da moda. O casal Gulbenkian fazia também curas de águas termais em França e era frequentador assíduo das praias francesas.

Ainda a residir em Londres, Calouste e a mulher iam constantemente a Paris, hospedando-se no hotel do amigo César Ritz, onde tinham uma suite permanente. É em 1906 que adquirem um apartamento situado no Quai d’Orsay, nº 27, passando a alternar o período de residência nas duas capitais.

Durante a 1ª Guerra Mundial, Nevarte permaneceu em Londres e Calouste continuou a ir a Paris tratar de negócios e desempenhar funções diplomáticas na embaixada otomana. Finda a guerra, assumiria o cargo de conselheiro comercial da embaixada persa em Paris.

É no ano de 1922 que adquire o palacete no nº 51 da Avenue d’léna com a ideia de lá acolher muitas das obras de arte que fora adquirindo desde 1898. Para tal, contrata arquitetos de renome para modernizarem o imóvel. Recheado de mobiliário riquíssimo, tapeçarias, cerâmicas, pratas, quadros, esculturas e livros preciosos, o palacete assemelha-se a um autêntico museu.

Era também nesta morada que tinha lugar a missão diplomática da Pérsia, junto da qual Calouste Gulbenkian assumia a função de conselheiro económico. Durante a 2ª Guerra Mundial, estando o palacete na iminência de ser requisitado e atribuído a uma alta personalidade alemã, foi necessário o tato diplomático do genro de Calouste para convencer os alemães de que a propriedade pertencia a uma potência não-beligerante: Kevork Essayan foi bem-sucedido e o palacete permaneceu intocável.

No entanto, os combates continuavam a ferro a fogo e sem fim à vista e, por isso, em 1942, quando as tropas alemãs invadem Paris, Calouste decide abandonar a França e ir para os Estados Unidos, via Portugal.