Sistema Nacional da Economia Política

Friedrich List

Imediatamente após o seu aparecimento, o Sistema Nacional granjeou reconhecimento e críticas numa medida invulgar. Na Alemanha permaneceria a obra mais polémica da economia nacional até à Primeira Guerra Mundial.

List propôs-se como objetivo delinear uma teoria da produção numa base nacional e não do ponto de vista das empresas individualmente, ou seja, mostrar, como o “capital mental nacional” – as instituições sociais, jurídicas, culturais e políticas – influencia a economia e como ambos os campos se ligam internamente enquanto ‘forças” que se impulsionam reciprocamente. As qualidades mentais e políticas são forças mais importantes e mais duradouras para “atingir a riqueza” do que a riqueza do “mundo das mercadorias” alcançada em dado momento. “A História ensina [ … ] que os indivíduos criam a maior parte das suas forças produtivas a partir das instituições e das condições sociais.” E a limitação do “trabalho produtivo” a atividades que entram diretamente como fator no preço das mercadorias é poderosamente anulada. A objeção principal era e continua a ser que a noção de forças produtivas ultrapassa os fatores meramente económicos e, apesar disso, pretende ser a teoria económica mais correta.

O parecer dos eruditos da época foi significativamente discrepante. Bruno Hildebrand, o nobre criador intelectual da política social alemã, explicou assim o mérito de List: List forçou os economistas alemães a estudarem História. Mas ao mesmo tempo afirma, baseando-se apenas numa das menos importantes formulações da teoria dos estádios, que o pensamento de List é completamente desligado da História. Uma luz especialmente pequena, e cujo nome não deve ser novamente despertado, queria “numa linguagem tão pouco digna (…) em presença de ideias tão erradas, abster-se de uma condenação pública deste livro, se nós entretanto não tivéssemos podido presenciar que a mesma goza das boas graças do público… ” A crítica do homem é um livro de 228 páginas. Wilhelm Roscher, cabeça da Escola Histórica, mais antiga, concorda com aquela opinião, ao mesmo tempo que critica a teoria de List, “respeitando”, no entanto, “o sentido prático ao mais alto grau”. E continua: “Um livro inteligente deste género não pode ser suficientemente bem-vindo no nosso país (…) Quisesse Deus que tivéssemos mais obras destas (…) Podemos responder que ele é o teórico da grande união aduaneira.” E Roscher termina com a afirmação: “Afasto-me do autor com a maior consideração e estima. Se o seu livro fosse de menor significado, eu tê-lo-ia julgado com menos severidade. Não duvido de que a obra sobreviverá ao seu século.”

 

(Do prefácio de Eduardo de Sousa Ferreira)

Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Trad. de Eduardo de Sousa Ferreira e Karin Paul Ferreira; pref. de Eduardo de Sousa Ferreira

Edição:
1ª ed.
Coordenação editorial:
Fundação Calouste Gulbenkian. Serviço de Educação e Bolsas
Editado:
Lisboa, 2006
Dimensões:
216 mm x 150 mm
Capa:
Encadernado
Páginas:
674 p.
Título Original:
Das nationale System der politischen Ökonomie
ISBN:
972-31-1140-3

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