Sidereus Nuncius: o mensageiro das estrelas

Galileu

É difícil exagerar a importância do Sidereus Nuncius (1610) de Galileu Galilei (1564-1642). Neste livro, Galileu anunciou várias descobertas, cada uma mais surpreendente e controversa do que a anterior: a superfície da Lua ser semelhante à da Terra, as inumeráveis estrelas de que é formada a Via Láctea, os quatro satélites em torno de Júpiter.

Após algumas negociações com a corte Medici, em Florença, Galileu designou esses satélites por «Estrelas Mediceias». Isto revela que, para Galileu, o Sidereus Nuncius serviu como uma candidatura a um emprego. Fatigado com o seu cargo rotineiro de professor de matemática na Universidade de Pádua, Galileu viu a oportunidade de um novo e promissor futuro como matemático e filósofo da natureza na corte florentina, quando um «estranho» chegou a Veneza, em julho de 1609, para apresentar um dos novos instrumentos recentemente inventados nos Países Baixos – o telescópio. No final de agosto, Galileu já tinha conseguido fazer um telescópio muito melhor do que o desse estrangeiro e iniciou a sua série de descobertas surpreendentes que acabariam, após a publicação do Sidereus Nuncius (1610), por lhe dar a fama.

Foi um livro que estabeleceu novos standards: para o papel dos instrumentos nas pesquisas da ciência – Galileu construiu o seu próprio telescópio melhorado; para o uso de evidência visual na disciplina da astronomia – embora não fosse a primeira vez, as imagens nunca haviam sido tão importantes como as gravuras lunares do Sidereus Nuncius; para a definição da disciplina de astronomia como parte da filosofia natural (ou da física, como diríamos hoje) – o livro foi entendido como uma defesa do copernicianismo.

Sidereus Nuncius pode, sem qualquer exagero, ser considerada a mais emblemática, a mais perturbadora, mas também a mais acessível de todas quantas compõem o excepcional panteão dos textos da «Revolução Científica». O Sidereus Nuncius é o livro em que Galileu Galilei deu a conhecer as novidades que descobrira com o telescópio, e é seguramente uma das mais importantes obras em toda a história do pensamento científico.

(Da nota de abertura de Sven Dupré e do prefácio de Henrique Leitão)

Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Trad., estudos e notas Henrique Leitão

Edição:
4ª ed.
Coordenação editorial:
Fundação Calouste Gulbenkian
Editado:
Lisboa, 2015
Páginas:
289 p.
ISBN:
978-972-31-1317-4