Guia de Portugal. Vol. V – Trás-os-Montes e Alto-Douro. Tomo I – Vila Real, Chaves e Barroso

Terra pedregosa, magra e ascética – aqui e além matizada pela frescura rústica e pastoril de algumas veigas –, cingida do lado poente pelas imponentes linhas montanhosas do Marão e de Barroso e, do lado levante, pelo ciclópico barranco do Douro mirandês, verdadeiro desfiladeiro dantesco.

Trás-os-Montes e Alto Douro é uma das províncias portuguesas de mais vincado cunho telúrico e humano. Para quem tiver a paixão de conhecer o lastro milenário dos costumes, poucas terras serão mais pródigas de revelações. Seu património de provérbios, de lendas, de danças, de canções de trabalho, parece inesgotável.

Para o apreciador de paisagens, será um segundo eldorado. Os anfiteatros do Douro, por si só, valem por todos os castelos do Loire e do Reno juntos. Quem puder dispor de alguns dias para uma pausada volta por esse recanto de Portugal não se cansará de descobrir quadros de extraordinária singularidade e largueza. Subindo, por exemplo, a serra do Marão, pela vertente amarantina, não poderá deixar de notar, ao dobrar a linha da cumeada, com os olhos ainda deslumbrados da visão do pendor ocidental da montanha, que está em face de um maravilhoso trecho da antiga Ibéria, solene e repousada, morena e adusta. Transpondo o rio Douro, no meandro da Régua, e subindo das alturas de Lamego à vizinha serra das Meadas, ou indo até ao extremo do promontório de São Domingos da Queimada, outra prodigiosa visão se lhe oferecerá de quase toda a província. Daí se avista, sobre o profundo e singularíssimo vale duriense, em pleno coração da região vinhateira, o dorso bronzeado do Marão e grande parte da província, desde os cimos escalvados do Mesío aos distantes relevos de Bornes e Reboredo, num arco de círculo de algumas boas dezenas de léguas. Mas não fique por aí a curiosidade panorâmica do viandante. Que ele prossiga e procure, como deve, e verá cenários que nunca sonhou.

Mergulhada outrora no isolamento das suas montanhas e vales profundos, privado de estradas e caminhos acessíveis, à margem da circulação que animava o litoral do país, de natureza rude, clima excessivo, […] Trás-os-Montes oferece, ainda hoje, uma fisionomia peculiar que o distingue das outras regiões de Portugal.

 

(Dos textos introdutórios de Sant’Anna Dionísio e Virgílio Taborda)

Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Direção: Sant’Anna Dionísio

Edição:
3.ª ed.
Idioma:
Português
Editado:
Lisboa, 1995
Entidade
Fundação Calouste Gulbenkian
Dimensões:
115 x 170 mm
Capa:
Encadernado
Páginas:
514
ISBN:
972-31-0163-7

Definição de Cookies

Definição de Cookies

A Fundação Calouste Gulbenkian usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras.