Origens e formação

Calouste Gulbenkian nasceu em Scutari (hoje Üsküdar), Istambul, a 29 de março de 1869, filho de Sarkis e Dirouhi Gulbenkian. Os Gulbenkian tinham orgulho na ligação secular da sua família com a região a sul do Lago Van (Turquia), tradicionalmente visto como o berço da civilização arménia.

Por volta de 1800, os Gulbenkian tinham-se estabelecido em Talas, perto de Cesareia (hoje Kayseri), onde financiaram de forma generosa a construção de escolas arménias e uma nova igreja arménia. Estes são os mais antigos exemplos em arquivo de uma longa tradição de filantropia arménia que teve continuidade no século XX.

Por volta de 1850, o pai e o tio de Calouste mudaram-se para o que era então Constantinopla, e não passaria muito tempo até acrescentarem o hospital de S. Pirgiç à sua lista de ações filantrópicas. Um diretório comercial de 1881 lista “S. & S. Gulbenkian” simultaneamente como empresa de importação/exportação e banco. Para além de tapetes, lã e outros produtos, a empresa também comercializava querosene do Cáucaso e integrava uma rede de sociedades comerciais de base familiar com sede em Londres, Marselha, Varna (Bulgária) e outras cidades do Império Otomano.

Calouste Gulbenkian iniciou os seus estudos em Kadikoy (Calcedónia). Aos 14 anos foi estudar para Marselha, onde aprofundou os seus conhecimentos de francês, e depois foi para Londres, para a Escola do King’s College. No departamento de Ciências Aplicadas estudou várias disciplinas, distinguindo-se em Física.

Tornou-se Associado do King’s College em 1887 e embora considerasse prosseguir uma carreira de investigação em Paris foi dissuadido pelo pai. Em 1888, viajou para Baku para aprender mais sobre petróleo e complementar a sua formação. Esta viagem aos campos petrolíferos exerceu nele um grande fascínio e inspirou a escrita do livro «La Transcaucasie et la Péninsule d’Apchéron – Souvenirs de Voyage», para além de vários artigos para a Revue des Deux Mondes e outros periódicos franceses. Estas publicações firmaram a sua reputação como especialista em petróleo.

Os artigos atraíram a atenção do Governo Otomano, que pediu ao então jovem Gulbenkian para elaborar um relatório sobre os recursos petrolíferos dos campos que o Sultão tinha adquirido no território que é hoje o Iraque.

Em 1892, Gulbenkian casou-se com Nevarte Essayan, com quem teve dois filhos: Nubar (nascido em 1896) e Rita (nascida em 1900). Os Essayan eram oriundos de Cesareia e tinham acesso privilegiado à corte Otomana. Mas as boas relações com a corte Otomana não foram suficientes para proteger Gulbenkian e a sua família dos pogromes anti-Arménios. Em 1896, a ocupação das instalações do Banco Imperial Otomano em Constantinopla por ativistas arménios espoletou uma onda de ataques coordenados dirigidos à comunidade arménia nesta cidade. A família da mulher de Gulbenkian tinha entre os seus negócios uma frota de ferries e conseguiram assim escapar num barco a vapor para Alexandria.

Mas os interesses financeiros de Gulbenkian fizeram-no regressar rapidamente a Londres e à sua Bolsa de Valores, que era então a maior do mundo e onde Gulbenkian apanhou a explosão acionista das minas da África do Sul e da Austrália. Tornou-se um profundo conhecedor de Corporate Finance, e como financeiro e “homem do petróleo” (um rótulo que ele rejeitava), Gulbenkian investiu muito e bem. Entretanto, em 1901 retirou-se de vários negócios da família, incluindo a S. & S. Gulbenkian, deixando que os seus dois irmãos e o tio continuassem sem ele.

Gulbenkian pode não ter sido o primeiro a antecipar a importância das reservas de petróleo iraquianas, mas teve a visão, os contactos e a capacidade de persuasão para mediar as conversações entre investidores internacionais e o governo Otomano. Procurou sobretudo convencer os dois lados dos benefícios de uma exploração racional das reservas, por meio de uma colaboração internacional em detrimento de guerras de preços.

Atualização em 06 Julho 2017