Graça Morais. La violence et la grâce

31 Maio – 27 Agosto

 

A obra de Graça Morais, que se desenvolve em múltiplas séries e grandes formatos dos anos 70 à actualidade é vasta e diversa. As obras expostas (1982-2016) correspondem a um ponto de vista sobre essa totalidade, sem qualquer propósito de síntese. Trata-se da procura dos indícios mais fortes, mas também os mais subtis dos temas fundamentais da artista e do espírito que os atravessa: a identidade do lugar onde nasceu, Trás-os-Montes, e os valores socias e universais que nele encontrou como plataforma de pensamento e acção. Nesse lugar longínquo, no norte de Portugal, fustigado pela rudeza do clima, a inclemência da distância, o abandono e a pobreza, Graça Morais identificou uma iconografia inconfundível para a sua representação do mundo, a que permaneceu fiel. E nele, o lugar especial da mulher, na sua condição de fraqueza e de força, agente e vítima do seu destino, dotada de uma pulsão híbrida e transformadora que a artista resolve no persistente recurso à metamorfose.

Terá sido a percepção da originalidade dessa iconografia de matriz identitária que conduziu tantos poetas e escritores portugueses à obra de Graça Morais. De Miguel Torga a Nuno Júdice encontramos uma imensa lista de autores como José Saramago, Vasco Graça Moura, Agustina Bessa-Luís, Maria Velho da Costa, Pedro Tamen, Sophia de Mello Breyner, Manuel António Pina, num movimento com dois sentidos em que a contaminação poética se sobrepõe à ordem das disciplinas.

Tome-se o caso de uma artista que possui o dom, será a palavra certa, de no contexto da produção artística portuguesa, convocar desde sempre e de modo continuado o território da literatura. Para além de ilustradora ocasional, que também  foi, Graça Morais soube construir um sistema de imagens, capaz de desencadear nos escritores portugueses mais fulgurantes do seu tempo, os impulsos narrativos que estiveram na base de obras literárias de referência. Foi a partir da consciência desta singularidade e, da inversão da tradicional dinâmica entre arte e escrita que esta exposição foi inicialmente pensada e, as primeiras obras escolhidas.

 

 

De uma obra tão plural a escolha exclusiva de desenho foi intencional. Nele encontramos as qualidades do “sentir lui-même” de que fala Jean Luc-Nancy e a sua adequação à entrega mais emocional da artista: il est la pulsion et la pulsation d’être au monde, et tous les sens, sentiments, sensivités, sensualités sont les délinéations de cette pulsion et pulsation(…). (Jean-Luc Nancy, Le plaisir au dessin, Paris, Galilée, 2009)

Curadoras : Helena de Freitas e Ana Marques Gastão

Exposição aberta segunda, quarta, quinta e sexta-feira das 9:00 as 18:00

Sábado e domingo das 11:00 às 18:00
Exposição fechada à terça-feira

Entrada livre

 

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Graça Morais, la violence et la grâce

Graça Morais, la violence et la grâce

Entrevistámos Graça Morais e as curadoras, Helena de Freitas e Ana Marques Gastão, sobre a exposição.

Em vitrine

Em vitrine

Uma mostra documental, organizada por Ana Marques Gastão e Helena de Freitas, em colaboração com a biblioteca Gulbenkian Paris, apresenta alguns livros, fotografias e desenhos originais da artista. Dois filmes são também mostrados para acompagnar esta apresentação.

Publicações

Publicações

No quadro da exposição foram publicados dois livros : o catálogo Graça Morais, la violence et la grâce (Somogy éditions d'art, 2017) e Les Métamorphoses de Agustina Bessa Luís e Graça Morais (Anne Rideau éditions, 2017)

Colóquio Graça Morais, le mythe et la métamorphose

Colóquio Graça Morais, le mythe et la métamorphose

6 e 7 de junho 2017. O colóquio, no qual parteciparão cerca de vinte especialistas da obra da Graça Morais, foi dedicado ao cruzamento da obra grafica da Graça Morais com outras saberes, nomeadamente a literatura, a antropologia, a história da arte, a psicanálise, o estudo de género, a reflexão sobre a memória, a migração e a paisagem antropomórfica.

Atualização em 15 Março 2018