Sinfonia n.º 6 de Beethoven

Orquestra Gulbenkian / Giancarlo Guerrero

Orquestra Gulbenkian
Giancarlo Guerrero Maestro

Ludwig van Beethoven (1770 1827)
Sinfonia n.º 6, em Fá maior, op. 68, Pastoral

– Despertar de sensações agradáveis ao chegar ao campo: Allegro ma non troppo
– Cena à beira do regato: Andante molto moto
– Feliz reunião de camponeses: Allegro
– Trovoada, tempestade: Allegro
– Canto dos pastores. Sentimentos de satisfação e de reconhecimento depois da tempestade: Allegretto

Composição: 1808
Estreia: Viena, 22 de dezembro de 1808
Duração: c. 40 min.

A obra de Ludwig van Beethoven tem sido consensualmente dividida em três grandes períodos criativos, cujas transições correspondem igualmente a pontos de viragem na sua biografia. Neste sentido, um fator decisivo foi certamente o surgimento da sua surdez progressiva. A melancolia e o desespero estão bem patentes nas suas cartas datadas do início do século, tendo ficado famoso o chamado “Testamento de Heiligenstadt” (1802), documento em que rejeita a hipótese de suicídio e se declara pronto para enfrentar o seu destino. De facto, um novo ímpeto criativo é revelador da recuperação do desânimo que o prostrara anteriormente. É nesta altura, por volta de 1803, que se localiza o início de uma segunda fase criativa, o “estilo heroico”, o qual se prolongaria até cerca de 1812, um período ao longo do qual Beethoven produziu a maior parte da sua música orquestral. É destes anos que data a Sinfonia n.º 6, concluída em 1808 e composta praticamente em simultâneo com a igualmente célebre Sinfonia n.º 5. Trata-se de uma das poucas obras do compositor alemão que contêm um conteúdo programático explícito, relacionado neste caso com a Natureza, elemento que era particularmente inspirador para o compositor.

A obra inicia-se com um Allegro ma non troppo, em forma-sonata, que descreve de modo animado os sentimentos do compositor na sua chegada ao campo. O segundo andamento, um Andante com temas de uma beleza melódica pastoril, é uma cena de grande serenidade que ocorre em plena natureza, à beira de um regato, encerrando com a recriação onomatopaica do canto dos pássaros. Segue-se um Allegro que evoca as festas populares e as suas danças. O quarto andamento, Allegro, descreve com um realismo espantoso o desenvolvimento de uma violenta tempestade. Entretanto a atmosfera desanuvia-se e tem início o Allegretto final, o qual pretende ser um hino de gratidão para com a Natureza.

Luís Miguel Santos

Atualização em 18 fevereiro 2021

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