Sinfonia n.º 3 de Mendelssohn

Orquestra Gulbenkian / Nuno Coelho

Orquestra Gulbenkian
Nuno Coelho Maestro

Felix Mendelssohn (1809 1847)
Sinfonia n.º 3, em Lá menor, op. 56, Escocesa

– Andante con moto – Allegro un poco agitato
– Scherzo: Vivace non troppo
– Adagio cantabile
– Finale: Allegro vivacissimo – Allegro maestoso assai

Composição: 1829-1841/42
Estreia: Leipzig, 3 de março de 1842
Duração: c. 43 min.

Felix Mendelssohn foi um importante codificador do Romantismo. Recuperou a música de J. S. Bach, desenvolveu o concerto público e impulsionou géneros associados às novas sensibilidades como a abertura programática. Contudo, a sinfonia continuava a ser a verdadeira prova de fogo para um compositor. Além das sinfonias para grande orquestra, Mendelssohn compôs uma quantidade significativa de sinfonias para cordas, onde apurou o seu estilo.

A Sinfonia n.º 3 é uma das últimas obras de grande fôlego a ser completada por Mendelssohn. Apesar da sua génese se situar numa visita à Escócia realizada em 1829, a obra foi terminada em 1842. Naquele tempo, era normal os jovens pertencentes à aristocracia e à burguesia realizarem o chamado “Grand Tour”, como parte da sua formação. Assim, as visitas à Itália, com as suas obras de arte e arquitetura, e às paisagens naturais da Inglaterra e da Escócia, integravam a formação dos jovens. Isso fez-se sentir de forma mais acentuada em Mendelssohn, pertencente a uma família de intelectuais e banqueiros judeus, cujos salões contaram com a presença de grandes vultos da cultura europeia da época.

Na estreia, em 1842, a Sinfonia n.º 3 foi apresentada sem referências programáticas, apesar do sabor tradicional de alguns dos seus temas e da continuidade entre andamentos, resultante de vários temas derivarem do motivo da introdução. A sinfonia tem início com uma introdução lenta baseada num tema registado aquando da viagem de Mendelssohn à Escócia. O primeiro andamento encontra-se em forma sonata, a qual confronta um primeiro grupo temático cinético com o melodismo delicado do grupo complementar. A interpenetração dos dois grupos temáticos e o retorno do material da introdução são características essenciais da obra. O Scherzo, em forma ABA, tem sabor popular, contrastando com a expressividade cantabile e nostálgica do Adagio. A sinfonia termina com um andamento contrapontístico e em forma sonata, cuja coda, em tonalidade maior, estabelece um derradeiro contraste com a atmosfera do andamento.

João Silva

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