Temporada 19/20

Quando falamos de Música Clássica temos tendência para pensar na música escrita há muito tempo por compositores que viviam em contextos sociais diferentes daqueles em que hoje vivemos. Os compositores mais populares são aqueles que escreveram as suas obras há 200 ou 300 anos. Este é também o período do qual provêm os instrumentos que usamos hoje em dia. A Orquestra Sinfónica é, ao mesmo tempo, a guardiã e a renovadora desta herança.

Para que a herança continue a ser relevante para os ouvintes dos nossos dias, precisa de ser continuamente reinterpretada. Precisa de ter a mesma urgência de comunicar connosco no presente. A nossa ambição, na Gulbenkian Música, é a de apresentar música que, em simultâneo, tem a capacidade de se inspirar no passado e de falar para o presente.

 

Coro e Orquestra Gulbenkian

O Coro Gulbenkian tem um motivo especial para celebrar nesta temporada. Michel Corboz, o seu maestro titular, completará 50 anos desde a sua primeira apresentação à frente deste agrupamento. Para marcar este jubileu, o coro apresentará dois ciclos completos da Oratória de Natal de J. S. Bach no mês de dezembro, o mesmo mês em que Corboz iniciou as suas funções em 1969. Antes da Páscoa, interpretará também a Paixão segundo São João de Bach.

A Orquestra Gulbenkian inicia a sua segunda temporada com Lorenzo Viotti. O nosso maestro titular define os seus programas através da combinação entre o repertório corrente e obras-primas menos conhecidas do público. Sendo um apaixonado pela ópera, apresenta nesta temporada outra produção encenada, Evgeni Onegin de Tchaikovsky. No domínio do repertório sinfónico, continua a explorar as últimas obras de Mozart e convida a orquestra a interpretar, pela primeira vez na sua história, a impressionante 3.ª Sinfonia de Mahler no concerto de abertura da temporada. Outro programa mostra-nos como a Natureza foi interpretada pelos compositores, contrapondo Beethoven e Stravinsky. Também as Quatro Peças Sacras de Verdi, a 9.ª Sinfonia de Bruckner e a Sinfonia Lírica de Zemlinsky estarão sob o olhar do nosso diretor musical durante a temporada, a qual termina com a raramente ouvida obra Os Sinos de Rachmaninov.

 

Residências

É com muito orgulho e satisfação que iniciamos uma residência com Maria João Pires, a intérprete portuguesa mais aclamada internacionalmente e cujas apresentações foram escassas no nosso país nos últimos anos. Teremos a oportunidade de ouvi-la em diferentes combinações: o primeiro concerto, em setembro, junta canções arménias aos Impromptus de Schubert; o segundo, em novembro, apresenta música de Mozart para piano a duas e a quatro mãos: o terceiro, em março, é um recital a solo preenchido com obras de Debussy e Beethoven. O ciclo completo revela diferentes facetas desta artista singular.

Benjamin Attahir, um jovem compositor francês de origem libanesa, também estará em residência na primeira parte da temporada. A sua música combina elementos das tradições clássicas ocidental e oriental. Considerado um dos músicos mais inovadores da sua geração, produziu já um leque variado de obras, de entre as quais serão apresentados três concertos pela Orquestra Gulbenkian. O primeiro, Al Fajr, para piano e orquestra, estreado por Daniel Barenboim na Pierre Boulez Saal, em Berlim, foi pensado pelo compositor para ser tocado com o Concerto para Piano n.º 22 de Mozart. O segundo concerto, uma encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian, é para soprano (Raquel Camarinha) e violino (Renaud Capuçon), e o terceiro solicita a presença no nosso palco de um raro instrumento, o serpentão.

O terceiro artista em residência é o pianista Behzod Abduraimov, nascido há 30 anos em Tashkent, no Uzbequistão. Desenvolve uma relação artística próxima com Lorenzo Viotti e ambos interpretarão concertos russos, de Tchaikovsky e Rachmaninov. Abduraimov também se apresentará em recital a solo, integrado no nosso ciclo de piano. Uma grande intérprete neste domínio, cuja presença quero também destacar, é a nossa querida Mitsuko Uchida, que atuará em dois concertos na temporada.

 

Oriente – Ocidente

“O Mundo é um livro e aqueles que não viajam leem apenas uma página” escreveu Santo Agostinho de Hipona no século V. Para celebrar os 150 anos do nascimento do nosso fundador, Calouste Sarkis Gulbenkian, em 2019 programamos um ciclo que explora as tradições musicais orientais e ocidentais: de que modo são diferentes e que elementos podem partilhar entre elas. Os sete concertos desta temática incluem três com o nosso compositor residente Benjamin Attahir e a Orquestra Gulbenkian, bem como um concerto com Jordi Savall e a sua exploração musical do extraordinário trajeto de São Francisco Xavier, o monge quinhentista que viajou de Portugal para levar o cristianismo ao Japão.

Os ensembles Gurdjieff &Hewar juntam as suas forças num concerto especial que combina as músicas da arménia e da síria de uma forma inovadora. O pianista e compositor arménio Tigran Hamasyan apresenta a sua própria música, bem como os seus arranjos de música sacra do século V ao século XX, em conjunto com o Coro Gulbenkian.

 

Beethoven 2020 e mais

Beethoven pode ser considerado o compositor mais radical da história da música ocidental. Em janeiro de 2020, no ano do 250.º aniversário do seu nascimento, iniciaremos uma programação especial que se prolongará ao longo de um ano e que destacará o seu génio criativo. Ao longo de 2020, ouviremos todas as suas sinfonias e sonatas para piano em diferentes contextos. No final de janeiro, o nosso bianual Festival dos Quartetos de Cordas será dedicado aos quartetos para cordas de Beethoven – uma integral em dois dias, oferecida por seis quartetos de cordas internacionais.

Para além dos temas descritos anteriormente, a temporada 19/20 da Gulbenkian Música continua a convidar os mais inspiradores artistas dos nossos dias, maravilhando e surpreendendo os ouvintes. Poderá apreciar os intérpretes que se apresentam no Grande Auditório pela primeira vez, como o jovem pianista Seong-Jin Cho, os violinistas Daniel Lozakovich e Vilde Frang ou a soprano Camilla Nylund, ou reencontrar músicos que não nos visitam há muitos anos, como o pianista Mikhail Pletnev e o violinista Gil Shaham. Descobrirá novas composições que foram escritas por compositores como Marlos Nobre ou Nuno da Rocha, no âmbito da nossa colaboração com a Sala São Paulo no Brasil, verá e ouvirá novas encenações e novas óperas como Erismena, do compositor veneziano do século XVII Francesco Cavalli, ou The Sleeping Thousand, do jovem compositor israelita Adam Maor, e poderá ainda descobrir novos talentos emergentes durante o fim-de-semana Rising Stars.

O nosso objetivo é, e sempre foi, o de lhe oferecer oportunidades únicas para experienciar as emoções que os artistas oriundos de diferentes horizontes partilham consigo ao vivo. Bem-vindo à Gulbenkian Música!

 

Risto Nieminen
Diretor do Serviço de Música

 

Coro e Orquestra Gulbenkian

Coro e Orquestra Gulbenkian

No centro de cada Temporada da Gulbenkian Música encontram-se os concertos dos seus dois agrupamentos residentes: o Coro e a Orquestra Gulbenkian. Em função destas duas formações históricas da música portuguesa e europeia, é desenhada, em cada temporada, uma importante parte da programação, a qual conta com a colaboração de maestros e solistas de grande prestígio internacional.

Concertos de Domingo

Concertos de Domingo

A ligação à música deve começar cedo e os Concertos de Domingo, comentados em ambiente descontraído e pensados para serem fruídos em família, fazem um convite claro a uma descoberta das obras, dos compositores e dos intérpretes. Em cada sessão, as interpretações são acompanhadas por explicações que ajudam a contextualizar, a descodificar e a criar uma relação com os sons.

Grandes Intérpretes

Grandes Intérpretes

Para além de apresentar ao público as grandes obras do património musical, é preciso que estas sejam transmitidas pelos mais experientes e inspirados intérpretes. Todos os anos, o Ciclo Grandes Intérpretes traz à Gulbenkian Música um conjunto de artistas e agrupamentos de exceção, capazes de revelar com grande conhecimento, apuro técnico e amplo espectro expressivo a plena amplitude de cada obra, proporcionando-lhe um fôlego renovado em cada interpretação.

Maria João Pires

Maria João Pires

Aquela que é, sem dúvida, uma das mais importantes intérpretes da História da Música Portuguesa, estará presente em três momentos da temporada Gulbenkian Música 19/20. Neste tríptico de recitais, Maria João Pires partilhará o palco com a soprano Talar Dekrmanjian e com a pianista Lilit Grigoryan, ambas arménias, e apresentar-se-á a solo no derradeiro recital da série. Um saudado regresso ao Grande Auditório, a sala onde também realizou gravações com a Orquestra Gulbenkian.

Piano

Piano

Num mundo cada vez mais sobrecarregado de estímulos, poucos haverá que se tornem tão únicos e memoráveis como a experiência de assistir à performance de um pianista de primeiro plano, sozinho em palco, entregue à música e a um instrumento de recursos quase ilimitados. Nikolai Lugansky, Mikhail Pletnev, Grigory Sokolov, Elisabeth Leonskaja ou Arcadi Volodos são apenas alguns dos nomes que confirmam o porquê de o Ciclo de Piano merecer sempre a total confiança do público.

Festival dos Quartetos de Cordas

Festival dos Quartetos de Cordas

Em 2020, a Gulbenkian Música comemora a passagem dos 250 anos do nascimento de Ludwig van Beethoven. Neste festival de música de câmara, promovido em colaboração com a Bienal dos Quartetos de Cordas da Philharmonie de Paris, é apresentada, em dois dias, a integral dos Quartetos para Cordas criados pelo compositor alemão. A possibilidade de ouvir seis dos melhores quartetos de cordas da atualidade, constitui-se como um momento único na temporada para o qual foi criado um passe especial para a totalidade dos concertos.

Portas Abertas - Rising Stars

Portas Abertas - Rising Stars

ECHO - European Concert Hall Organisation é uma rede europeia que reúne algumas das mais prestigiadas salas de concertos. Entre as instituições envolvidas são selecionados anualmente jovens músicos de excecional talento, que recebem formação na gestão dos seus percursos artísticos. Este ciclo é enquadrado no evento Portas Abertas, uma iniciativa que, ao longo de um dia intenso, convida o público a disfrutar de uma atmosfera musical festiva em ambiente informal.

Solistas da Orquestra Gulbenkian

Solistas da Orquestra Gulbenkian

A Orquestra Gulbenkian é formada por instrumentistas profissionais de grande qualidade técnica e artística. Ao longo da temporada, estes apresentam-se também em contexto de música de câmara, em recitais de entrada livre, saindo assim do anonimato intrínseco à sua presença no seio da orquestra. Ao mesmo tempo que assumem uma maior visibilidade, contribuem de forma relevante para uma melhor apreciação e valorização da música de câmara no seu conjunto, desde o repertório corrente do género até à estreia de novas obras.

Oriente - Ocidente

Oriente - Ocidente

Desde sempre, a itinerância tem caracterizado a vida e a atividade dos músicos, deixando estes uma marca da sua tradição quando transportam a sua própria cultura para um contexto diferente. Este ciclo de oito concertos abre o seu espaço à interação com as ricas culturas musicais do oriente. O programa de Jordi Savall percorre o ousado trajeto de São Francisco Xavier, de Portugal até ao Japão, no século XVI, e Benjamin Attahir demonstra como um jovem compositor contemporâneo pode utilizar elementos da música ocidental e do médio oriente para criar uma nova linguagem musical.

Met Opera Live in HD

Met Opera Live in HD

Desde 2010, as transmissões em direto das premiadas produções da Metropolitan Opera, de Nova Iorque para o Grande Auditório Gulbenkian, tornaram-se acontecimentos regulares e imprescindíveis em cada nova temporada. Exibida nas melhores condições técnicas, a programação Met Opera Live in HD traz-nos não só a arte dos melhores cantores e maestros da atualidade neste domínio, mas também as mais inovadoras criações contemporâneas de ópera.

Jazz em Agosto

Jazz em Agosto

Desde 1984, o Jazz em Agosto tem trazido à Fundação Gulbenkian as propostas mais criativas e inovadoras do jazz e da música improvisada. O festival tem sido uma referência ao procurar os novos caminhos e ao dar destaque a artistas que reformulam esta linguagem na contemporaneidade. Entre muitos outros, passaram pelo palco do Jazz em Agosto os seminais Sun Ra, Cecil Taylor, Ornette Coleman ou Art Ensemble of Chicago, mas também as novas propostas de Marc Ribot, Nicole Mitchell, Ambrose Akinmusire e Mary Halvorson.

Guias de Audição

Guias de Audição

Os Guias de Audição pretendem dar ao público uma informação complementar acerca dos repertórios a apresentar nos concertos da Orquestra Gulbenkian. Estas intervenções permitem uma ampliação do conhecimento sobre as obras e os compositores, através de comentários e da audição de excertos musicais.

Atualização em 27 Julho 2019