Metais da Orquestra Gulbenkian

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Neste concerto, o palco do Anfiteatro ao Ar Livre recebe um ensemble de metais da Orquestra Gulbenkian num programa – de Bach e Chostakovitch a Piazzolla e Gershwin – preparado especialmente para a ocasião, sob a direção do jovem maestro português Diogo Costa.


Programa

Ensemble de Metais da Orquestra Gulbenkian
Diogo Costa Maestro

Adrián Martínez Trompete
Carlos Leite Trompete
David Burt Trompete
Jorge Pereira Trompete
Kenneth Best Trompa
Eric Murphy Trompa
Luís Duarte Trompa
Sergi Miñana Trombone
Rui Fernandes Trombone
Tiago Noites Trombone
Amilcar Gameiro Tuba
Abel Cardoso Percussão
Marco Fernandes Percussão

Dmitri Chostakovitch
Abertura Festiva em Lá maior, op. 96 (arr. de Peter Lawrence)

Em 1947, Chostakovitch escreveu a Abertura Festiva para orquestra, para assinalar o trigésimo aniversário da Revolução de outubro de 1917. Nessa época, o compositor mantinha uma relação complicada com o regime estalinista, o que condicionou a sua produção. A obra foi estreada a 6 de novembro de 1954 e Peter Lawrence arranjou-a para decateto de metais. A Abertura Festiva encarna diversos aspetos do Romantismo russo, inspirando-se na música de Glinka. Uma fanfarra solene marca o início da peça, preparando solos virtuosísticos de melodias rápidas sobre as acentuações irregulares do ensemble. Os crescendi e accelerandi refletem a vivacidade da abertura, escrita numa linguagem tardo-romântica característica do estilo de Chostakovitch. O final retorna à atmosfera solene da fanfarra, que antecipa uma coda vertiginosa.

João Silva

 

Johann Sebastian Bach
Prelúdio e Fuga em Sol sustenido menor, BWV 849

O Cravo bem temperado faz parte de um dos legados mais importantes de Bach, a música contrapontística para tecla. O Prelúdio e Fuga em Sol sustenido menor, BWV 849, pertence ao primeiro caderno dessa obra, escrito em Cöthen no início da década de 1720. Um lamento cantabile recitativo que atravessa diversas vozes caracteriza o prelúdio. No arranjo, o recurso a diferentes instrumentos isola timbricamente cada voz, destacando a trama contrapontística da obra. A fuga apresenta o tema principal numa textura a cinco vozes, que enfatiza o cromatismo. Esse tema é transformado, constituindo um segundo tema e misturado com um terceiro elemento ao longo da fuga, numa textura complexa, revelando a mestria de Bach na abordagem aos géneros polifónicos.

João Silva

 

Paul Dukas
Fanfarre pour précéder “La Péri”

Em 1912, o compositor francês Paul Dukas apresentou o bailado La Péri, inspirado numa lenda persa. Para este, escreveu uma fanfarra de abertura. Marcada por uma figuração predominantemente militar, capta a atenção do ouvinte desde cedo. Misturando elementos cromáticos que remetem para o contexto sobrenatural do enredo do bailado com dissonâncias e melodias sinuosas associadas à representação sonora dos mitos do Oriente, a fanfarra concentra-se em jogos de pergunta-resposta entre os naipes onde pontificam a sonoridade brilhante dos instrumentos de sopro de metal, num claro aproveitamento das suas características tímbricas.

João Silva

 

Daniel Schnyder
Four Short Stories for Brass Octet
– Follow Me
– Opposite Is True
– Matrix
– Monkfish

Daniel Schnyder é um saxofonista e compositor suíço muito ligado ao jazz. As Four Short Stories for Brass Octet, escritas para o agrupamento de metais de Graham Ashton, mostram o encontro entre universos sonoros. Essas miniaturas contêm solos virtuosísticos para os instrumentos do agrupamento e começam com os ostinati dissonantes de Follow Me, pontuados pelos timbres criados pelas surdinas. Segue-se Opposite Is True, baseado em melodias angulares e glissandi, conduzidos pelos solos dos instrumentos graves. Matrix contrasta pelo estatismo e pelo recurso esparso ao contraponto, apresentando melodias solistas contra glissandi de instrumentos com surdina. A influência do estilo do pianista Thelonious Monk encontra-se patente em Monkfish, peça em que as melodias e acentuações irregulares remetem para o universo sonoro criado por Monk.

João Silva

 

Astor Piazzolla
Suite de Maria de Buenos Aires (arr. de Steven Verhelst)
– Yo soy Maria
– Balada para un organizo Loco
– Habanera
– Fuga y Misterio

A 8 de maio de 1968, estreou María de Buenos Aires, uma ópera com tango e sobre o tango. O enredo envolve a dança, a paixão, a morte e a marginalidade em Buenos Aires e a música contém os números que fazem parte da suite, arranjados pelo trombonista-baixo Steven Verhelst. Nela pontificam as acentuações do tango, transformadas pelas técnicas do Modernismo de Piazzolla. O melodismo e a energia da canção Yo soy Maria dá-nos a sensação de uma interpelação direta ao espetador, contrastando com Balada para un organizo Loco, que mantém um acompanhamento regular em contratempo para apoiar uma melodia cantabile lenta. As acentuações de uma habanera remetem para a ópera de Bizet, transformada no contexto da América do Sul, onde uma melodia sinuosa antecipa o regresso do ambiente de Balada para un organizo Loco. Fuga y Misterio marca o final apoteótico da suite. O tema principal, sincopado e angular, é apresentado através da entrada sucessiva das vozes, evocando a linguagem de Johann Sebastian Bach. O adensamento da textura, a vivacidade e a trama de temas e acompanhamentos levam-nos a Misterio, uma secção contrastante dominada pelo melodismo e pelo estatismo. O retorno do ambiente vivo da fuga conduz a suite ao seu final.

João Silva

 

George Gershwin
Buzzin’ the Bee (arr. de Peter Lawrence)

O início da carreira de George Gershwin está ligado aos arranjos de música instrumental para pianos mecânicos, feitos entre 1915 e 1917. Nessa época, trabalhou para a Aeolian, a firma construtora da Pianola, e arranjou o fox-trot Buzzin’ the Bee, escrito por Pete Wendling e Jack Wells em 1917. Essa transcrição foi realizada a potenciar as capacidades expressivas desse instrumento, sendo especialmente notória a influência do ragtime, com a sua sincopação característica, bem como o aproveitamento dos registos do piano, distribuídos pelos vários instrumentos no arranjo para ensemble de metais.

João Silva


JARDIM DE VERÃO

Num ano em que o Jardim Gulbenkian é, mais do que nunca, um lugar de liberdade, e num tempo marcado pelos desafios à fruição artística, o Jardim de Verão apresenta-se com uma programação transdisciplinar e verdadeiramente eclética, a cargo da ZDB (Zé dos Bois).

Pensado para “salvaguardar um espaço inclusivo, mantendo uma atenção particular ao usufruto individual”, o programa parte das qualidades do Jardim para explorar vários caminhos que passam pela instalação, pela performance e pela música.

 

Conheça a programação

 

 

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