João Lobo

Simorgh

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Há muito que a bateria de João Lobo e a guitarra de Norberto Lobo (sem qualquer parentesco) vêm encontrando repetidas ocasiões para alimentar e continuar um diálogo que nunca repete as mesmas conversas. De forma mais recorrente, essa parceria tem acontecido no coletivo Oba Loba ou em formações partilhadas com Giovanni Di Domenico, ainda que tenham tocado também em duo e no trio Norman. Em Simorgh, projeto liderado por João Lobo, juntam-se ao baixista Soet Kempeneer, e aquilo que aqui acontece a três confirma superiormente tudo o que deles conhecemos: a coexistência entre uma noção depurada de beleza (assente em melodias abençoadas) e uma desarmante queda para a abstração. Sempre com uma inventividade que rouba o fôlego.


Programa

Norberto Lobo Guitarra elétrica
Soet Kempeneer Baixo elétrico, Teclados
João Lobo Bateria, Voz

João Lobo pode ter tocado no grupo de Enrico Rava, um dos nomes maiores do jazz europeu, e ter colaborado com figuras tão diversas – mas identitárias – deste género musical como Roswell Rudd, Marshall Allen ou Nate Wooley, mas tudo tem feito para se manter fora de caixas demasiado compartimentadas. As suas associações ao guitarrista Norberto Lobo (Oba Loba) e a Giovanni di Domenico (Tetterapadequ, Going) contam-se entre os projectos que lhe permitem essa desterritorialização criativa. Este novo Simorgh é um deles, um trio em que aos dois Lobos se junta Soet Kempeneer. O jazz está presente, mas também aspectos da folk e do rock, o transe do Gana e de alguma música electrónica de dança e uma cativante perspectiva de música de cena e de música cinematográfica. Aqui e ali despontam referências aos Ash Ra Tempel ou a Todd Rundergreen, mas os conceitos musicais aplicados vão muito para além dessas inspirações e exploram caminhos inusitados. Há composição temática e improvisação solística, há melodias que imediatamente agradam ao ouvido e há repetição de motivos numa lógica de fraseio, sempre ao serviço de uma tensão que se mantém e nunca é resolvida.

Os grooves, o factor espacial das atmosferas criadas, a forma como se aliam energia e introspecção, o modalismo das peças e a abordagem retro-futurista, de jogo entre o reconhecível e o estranho, dão à música dos Simorgh (nome de uma ave, tipo fénix, da mitologia persa) o seu carácter distintivo. Sem alinhar com as estratégias da fusão (Miles Davis, Mahavishnu Orchestra) ou da colagem (Frank Zappa, John Zorn), antes preferindo diluir os factores idiomáticos, as formas, num materialismo e num pragmatismo de conteúdos, e pegando no psicadelismo dos Sixties sem aderir às cartilhas hoje vigentes, esta banda é a lufada de ar fresco que faltava.

Rui Eduardo Paes

 


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