Concerto para Violino de Schumann

Orquestra Gulbenkian / Lorenzo Viotti / Isabelle Faust

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Celebrada como uma das mais brilhantes violinistas da atualidade, Isabelle Faust é reconhecida entre pares pelo rigor absoluto que coloca na preparação de cada atuação, estudando a fundo o contexto histórico, o instrumento mais adequado a uma dada peça e a informação disponível acerca do compositor e da sua obra. A paixão que depois acrescenta às notas é engrandecida por esta cuidada reflexão prévia, conduzindo-a a momentos de exceção como o que aconteceu com a sua gravação do Concerto para Violino e Orquestra de Robert Schumann.


Programa

Orquestra Gulbenkian
Lorenzo Viotti Maestro
Isabelle Faust Violino

Robert Schumann
Concerto para Violino e Orquestra, em Ré menor, WoO 23
1. In kräftigem, nicht zu schnellem Tempo / Vigoroso, mas não muito rápido
2. Langsam / Lento
3. Lebhaft, doch nicht schnell / Animado, mas moderado

Composição: 1853
Estreia: Berlim, 26 de novembro de 1937
Duração: c. 34 min.

Vulto paradigmático do Romantismo musical, Robert Schumann (1810-1856) pertence a uma geração pródiga em manifestações de genialidade criativa, de que fizeram parte compositores como Felix Mendelssohn (1809-1847), Frédéric Chopin (1810-1849) ou Franz Liszt (1811-1886). A obra de Schumann destaca-se pelo seu inigualável poder expressivo e pela diversidade de contornos, através dos quais nela se substanciam os ideais da cultura romântica. Até 1840, ano em que casou com Clara Wieck, o compositor escreveu uma parte essencial da produção que o tornou célebre, constituída sobretudo pela música para piano e pelos Lieder. A partir daquela data, o âmbito da sua atividade alargou-se com as primeiras incursões no exigente domínio da Sinfonia.

A interpretação magistral do Concerto para Violino em Ré Maior de Beethoven, protagonizada pelo ilustre violinista Joseph Joachim (1831-1907) em Düsseldorf, na primavera de 1853, impulsionou Schumann a escrever, no mesmo ano, duas obras para violino e orquestra: a Fantasia em Dó maior, op. 131, e o Concerto em Ré menor. Este último distancia-se do veio mais fértil da inspiração schumanniana para fazer valer, em primeiro lugar, as possibilidades técnicas do instrumento solista, também tendo em vista o apuro técnico de Joachim. Como consequência, o discurso musical é dominado pelas figurações de velocidade, arpejos e outros expedientes de caráter virtuosístico, que no seu fluxo quase contínuo obstam, não raras vezes, à expressão de um genuíno e inspirado melodismo. Este transparece apenas de passagens efémeras, como o final do andamento lento, onde um tema intensamente nostálgico é enunciado pelo violino. Obra completamente esquecida em vida do compositor, o Concerto em Ré menor subsistiu em manuscrito na Biblioteca do Estado de Berlim até à data da sua publicação, surgida já em pleno século XX.

Rui Cabral Lopes

— Intervalo de 20 min —

Piotr Ilitch Tchaikovsky
Sinfonia n.º 5, em Mi menor, op. 64
1. Andante – Allegro con anima – Molto più tranquillo
2. Andante cantabile, con alcuna licenza
3. Valse: Allegro moderato
4. Finale: Andante maestoso – Allegro vivace

Composição: 1888
Estreia: São Petersburgo, 17 de novembro de 1888
Duração: c. 47 min.

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893) evidenciou-se pelo seu contributo para a tradição da música sinfónica, tendo desenvolvido um estilo pessoal que conciliava influências múltiplas. A Sinfonia n.º 5, em Mi menor, op. 64, foi composta entre maio e agosto de 1888, tendo sido estreada a 17 de novembro desse ano em São Petersburgo, no Teatro Mariinski, sob a direção do compositor. O sucesso não foi imediato, mas a obra rapidamente se tornaria numa das suas criações mais populares. Dez anos após a Sinfonia n.º 4, que em certa medida representava a sua resposta à 5.ª Sinfonia de Beethoven, a nova sinfonia retomava a temática do destino – embora o programa esboçado previamente, no qual Tchaikovsky identificava o tema principal como “a completa resignação ante o destino”, não tenha sido realmente terminado. Tal como no caso da Sinfonia n.º 4, também na n.º 5 se destaca um tema recorrente que, passando por diversas metamorfoses, contribui para unificar os quatro andamentos da obra.

O 1.º andamento, Andante – Allegro con anima – Molto più tranquillo, obedecendo a uma forma de sonata tradicional, inicia-se com a enunciação do “tema do destino” no clarinete e cordas graves, ao qual se segue a apresentação de uma melodia reminiscente do folclore eslavo. A relativa instabilidade da exposição é acentuada num desenvolvimento que atravessa diversas regiões harmónicas. Dando continuidade à atmosfera fatídica, o Andante cantabile, con alcuna licenza abre com as sonoridades trágicas de Si menor, modulando de imediato para Ré maior. O voluptuoso tema principal é apresentado por um solo de trompa, e depois de uma secção central mais instável, em Fá sustenido menor, é reafirmado com uma orquestração diferente. Segue-se um Allegro moderato, em Lá maior, uma graciosa valsa que explora toda uma variedade de cores instrumentais. Esta, após um inquieto scherzo central, faz ouvir, pouco antes do seu termo, o tema do destino. No Finale, após uma introdução em que o tema do destino surge num Andante maestoso em Mi maior, é apresentado um 1.º tema de caráter combativo e enérgico, desenvolvendo-se então uma forma sonata de uma intensidade crescente que culmina numa marcha magnificente.

Luís M. Santos


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  • Por Inês Thomas Almeida

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