Arcadi Volodos

Schubert e Schumann

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Grande Auditório Fundação Calouste Gulbenkian

Após os calorosos elogios que Arcadi Volodos recebeu pelas suas gravações de Mompou e Brahms, o brilhante pianista russo regressou em 2019 à obra de Schubert para gravar um álbum que mereceu nas páginas do Der Standard a expressão de que “quando Arcadi Volodos toca Schubert o tempo fica suspenso”. Neste regresso à Gulbenkian Música, Volodos oferece-nos a sublime Sonata Gasteiner (D. 850) de Schubert, em contraponto com as singelas, mas inspiradas “Cenas Infantis” de R. Schumann. Volodos interpreta a partir de um notável posicionamento que só está ao alcance dos mais iluminados: tocar cada uma destas obras como se fossem algo inteiramente novo.


Programa

Arcadi Volodos Piano

Robert Schumann (1810 – 1856)
Kinderszenen (“Cenas Infantis”), op. 15
1. Von fremden Ländern und Menschen /De gentes e países estrangeiros
2. Kuriose Geschichte / Uma história curiosa
3. Hasche-Mann / Cabra-cega
4. Bittendes Kind / Criança suplicante
5. Glückes genug / Felicidade suficiente
6. Wichtige Begebenheit / Um acontecimento importante
7. Träumerei / A sonhar
8. Am Kamin / À lareira
9. Ritter vom Steckenpferd / Cavaleiro do cavalo-de-pau
10. Fast zu ernst / Quase demasiado sério
11. Fürchtenmachen / Assustador
12. Kind im Einschlummern / Criança a adormecer
13. Der Dichter spricht / O poeta fala

Composição: 1838
Duração: c. 18 min.

Robert Schumann foi um dos principais expoentes do Romantismo musical, tendo-se destacado sobretudo pelo contributo que deu à música para piano e ao Lied germânico. Cedo revelou o seu interesse pela música e pela literatura, o que o levaria a desenvolver um estilo composicional profundamente marcado por modelos literários, cujas implicações se observam não só na sua produção liederística, mas também na própria música instrumental.

Datadas de um período extremamente fértil da sua produção pianística, as Kinderszenen op. 15, foram compostas em fevereiro 1838. Como o próprio compositor revela em correspondência com a futura esposa, Clara Wieck, trata-se de uma seleção de treze peças a partir de um conjunto de trinta miniaturas então compostas, com as quais procurava evocar o olhar retrospetivo de um adulto em relação à própria infância. Seria esta a sua primeira obra em torno desta temática, antecedendo outras como Für der Jugend op. 68, Ballszenen op. 109 ou Drei Clavier-Sonaten für die Jugend op. 118. Mas apesar da simplicidade técnica e do caráter ingénuo das Kinderszenen, seria erróneo pensar que se trata simplesmente de música para crianças, como acontece naqueles exemplos posteriores. Publicada pela Breitkopf & Härtel em setembro de 1839, a obra rapidamente se tornaria no seu primeiro grande sucesso entre o público, estimulando ainda muitos outros compositores, tais como Tchaikovsky, Debussy, Ravel, Bartók ou Stravinsky, a escrever música sobre a temática da infância.

A organização do ciclo apresenta coerência assinalável. Com efeito, Schumann concebeu-o como uma sequência de episódios individuais ligados entre si por meio de interconexões motívicas (há elementos do tema de abertura que surgem recorrentemente em peças subsequentes), para além de outros aspetos formais e harmónicos. A técnica narrativa usada é, aliás, similar àquela a que recorreu no Carnaval op. 9, se bem que no caso das Kinderszenen não estejam em causa as implicações crípticas que se observam naquela obra. Assumindo Sol maior como centro tonal de referência, o compositor cria a impressão de variedade e interesse do ciclo com os contrastes produzidos pela passagem por tonalidades mais ou menos próximas, bem como com a alternância premeditada entre peças de cunho mais alegre e animado (números 2, 3, 5, 6, 8, 9 e 11) e outras que decorrem numa atmosfera mais sonhadora e melancólica (números 1, 4, 7, 10, 12 e 13), o que não deixa de apontar também para a predileção schumanniana pelo dualismo de caráter. Para além do mais, destaca-se na estrutura do ciclo a colocação estratégica daquelas que são as suas duas peças mais pungentes: Träumerei (n.º 7) surge justamente a meio do percurso como que suspendendo o tempo numa recordação particularmente cara; Der Dichter spricht (n.º 13) põe termo ao ciclo à maneira de um poslúdio introspetivo, revivendo uma última vez algumas das memórias antes evocadas.

 

Franz Schubert (1797 – 1828)
Sonata para Piano em Ré maior, D. 850
1. Allegro vivace
2. Con moto
3. Scherzo: Allegro vivace
4. Rondo: Allegro moderato

Composição: 1825
Duração: c. 40 min.

Franz Schubert teve uma vida curta, mas suficiente para produzir uma obra extensa, deixando para a posteridade contributos importantes em todos os géneros sobre os quais se debruçou. É certo que se destaca sobretudo a sua produção no domínio do Lied, mas deve igualmente ser referida a sua obra para piano, que abarca todo o seu fecundo percurso criativo, contendo exemplos notáveis das influências que absorveu e das inovações que introduziu. Negligenciado durante muito tempo, este largo corpus é atualmente considerado como uma parte fundamental do repertório do instrumento.

A Sonata para piano em Ré maior, D. 850, foi composta no verão de 1825, durante uma estadia na cidade termal de Bad Gastein. Das doze sonatas para piano que Schubert completou – entre tantas outras que deixou fragmentárias –, foi esta uma das três que viu publicadas em vida, neste caso com o opus 53, em 1826. Na sua correspondência, o compositor testemunha o quanto a beleza das paisagens daquela região alpina o inspirou, e de facto importa destacar, um pouco por toda a obra, entre outros aspetos significativos, os acordes massivos, as modulações inesperadas e as súbitas alterações texturais, elementos que contribuem para veicular essa noção de deslumbramento.

O primeiro andamento, um enérgico Allegro, abre com um tema sugestivo de uma fanfarra. Numa exposição que pontualmente aborda tonalidades remotas, destaca-se ainda um segundo tema, em Lá maior, que parece ser reminiscente do célebre canto tirolês, com o seu perfil melódico oscilante. Mas é em particular o tema de abertura que é explorado tanto no desenvolvimento como na desafiante coda.

O segundo andamento, Con moto, constitui o momento mais emotivo da sonata, baseando-se igualmente em dois temas. A secção inicial centra-se numa ideia fluente e expressiva, em Lá maior, após o que surge uma outra ideia, vigorosa e arrebatada, marcada por um ritmo sincopado. As duas aparições deste tema contrastante, em Ré maior e em Lá maior, são entremeadas por uma variação do tema de abertura, o qual, numa última secção, se funde com elementos da segunda ideia, à medida que se dirige para as sombras finais.

Segue-se um Scherzo: Allegro vivace, de novo em Ré maior, cujo tema musculado, marcado pelos seus ritmos pontuados e pelas hemíolas – mas por momentos também dançante e expressivo –, contrasta bastante com o lirismo do Trio, em Sol maior.

Por fim, o quarto andamento, Allegro moderato, é um rondó cujo tema principal consiste numa elaboração jocosa sobre uma ideia marcial. Após a apresentação deste primeiro tema, em Ré maior, surge uma ideia mais animada, em Lá maior, baseada em figurações velozes, que conduz a um regresso do tema inicial, envolto em delicada ornamentação. Assoma então, Un poco più lento e em Sol maior, uma nova ideia melódica, mais expressiva, que a certa altura se torna tempestuosa, culminando afinal numa última aparição do tema principal, refundido com as figurações ligeiras características do segundo tema, que encerra a sonata com gentileza.

Notas de Luís M. Santos

 

Franz Schubert
Sonata para  Piano n.º 20, em Lá maior, D. 959
2. Andantino

Sergei Rachmaninov
Melodia em Mi maior op.3 n.º 3

Federico Mompou
Paisajes
2. El lago

Johannes Brahms
Três Intermezzi,  op. 117
1. Andante Moderato

Alexander Scriabin
Três peças op. 2
2. Prelude

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