• Paris, final do século XIX
  • Bronze 
  • Inv. 567
  • Escultura

Jean d’Aire, burguês de Calais

Auguste Rodin

O Monumento aos Burgueses de Calais, que ocupou Rodin durante onze anos, evoca um episódio da Guerra dos Cem Anos, relatado pelo cronista Froissart. A história narra o patriotismo e a coragem de seis dos mais notáveis cidadãos de Calais, que voluntariamente se ofereceram como reféns ao rei Eduardo III de Inglaterra, para que levantasse o cerco da cidade e salvasse as populações famintas. Rodin retrata estes mártires num momento crucial, quando se dispunham a abandonar a Praça do Mercado a caminho da execução. Cada um destes homens tem uma identidade física e características psicológicas próprias, que explicam as suas diferentes atitudes face ao martírio.

Este exemplar em bronze da figura de Jean d’Aire é uma das seis personagens referenciadas. É ele que leva as chaves da cidade nas suas mãos vigorosas. Entre todos, é o mais determinado, embora os seus olhos revelem tristeza. A veste monacal que enverga é um reflexo da verticalidade do seu caráter. Além de ser a figura mais monumental do grupo, Jean d’Aire é também a mais popular e a que conheceu maior número de réplicas.

Auguste Rodin conservou esta peça na sua posse até à sua morte, em 1917, após a qual Calouste Gulbenkian a adquiriu.

Coleção Auguste Rodin (n.º 2748). Adquirida por Calouste Gulbenkian a Paul Rosenberg, Paris, 8 de fevereiro de 1918.

A. 207 cm; L. 74 cm; Prof. 68 cm 

Figueiredo 1992

Maria Rosa Figueiredo, A Escultura Francesa. Catálogo de Escultura Europeia, vol. I. Lisboa: Museu Calouste Gulbenkian, 1992, pp. 218-227.

Goffen 1995

Rona Goffen (ed.), Museums Discovered. The Calouste Gulbenkian Museum. Fort Lauderdale, Florida: Woodbine Books, 1995, pp. 148-149.