• 1911
  • Tela
  • Óleo
  • Inv. 83P982
  • Pintura
  • Arte Portuguesa

António Carneiro

Nocturno

Nocturno (1911) assume-se como um dos trabalhos em que António Carneiro explora de forma mais manifesta o universo e a potencialidades da estética simbolista. Um dos aspetos centrais do Simbolismo foi a reabilitação e exploração de uma componente subjetiva na representação da paisagem, num desejo de individualidade e de uma nova espiritualidade contrárias à mentalidade positivista, mecanização e ânsia de progresso que caracterizavam a sociedade fin de siécle. A paisagem surge, por isso, frequentemente como metáfora da relação entre o artista e o mundo, como espelho de uma “outra” realidade, não aquela que o olhar descritivo e pretensamente objetivo do naturalismo pretendia captar, mas uma paisagem interior, capaz de exprimir e projetar os estados emocionais do sujeito. Em Nocturno, a opção pela representação da noite, num cenário onde a água marca presença e o casario é apenas denunciado pelas ténues luzes que se enfileiram ao longo da margem, parece apontar, não tanto para a ideia de sono, fim, mas para uma ideia de gestação e regeneração que o dia fará despontar. A lua, elemento ligado ao universo feminino, juntamente com a água, associada à fecundidade, relembram a constante e eterna capacidade de renovação da natureza, segundo ritmos e tempos a que o Homem não é alheio. A noite apresenta-se, desta forma, como entidade protectora, convidando à contemplação e recolhimento.

 

Do ponto de vista formal, esta é uma obra de grande modernidade, visível na construção da composição a partir da mancha de cor, numa secundarização (ou mesmo abdicação) do desenho preparatório, utilizado por Carneiro em trabalhos e encomendas de cariz mais académico. O predomínio de tons escuros apenas é contrariado pelo amarelo, rosa e violeta da luz lunar, numa pincelada solta, onde a procura de nuances nos focos de luz revela a vontade de experimentação do artista, verificável já numa obra anterior, de 1906, de tema similar, que integra também a coleção do CAM. 

 

 

Daniela Simões

Março 2015

TipoValorUnidadesParte
Largura90cm
Altura35cm
Tipo data
Texto1911
Posiçãoc.i.e.
Tipo assinatura
TextoAntónio Carneiro
Posiçãoc.i.e.
TipoAquisição
DataJulho de 1983
TipoCarimbo
TextoCol. Jorge de Brito
PosiçãoNo verso da tela e na grade
Notas3 carimbos
António Carneiro (1872-1930) - algumas pinturas e desenhos
CAMJAP/FCG
Curadoria: Alice Costa Guerra
21 de Junho de 2005 a 8 de Janeiro de 2006
Galeria do Piso 01 do museu do CAM
Exposição de pinturas e desenhos.
Evocações, Passagens, Atmosferas, Pintura do Museu Sakip Sabanci
Fundação Calouste Gulbenkian
Curadoria: Fundação Calouste Gulbenkian
14 de Junho de 2007 a 26 de Agosto de 2007
Lisboa, Museu Gulbenkian
A exposição reúniu um conjunto de trinta e oito obras de finais do século XIX e início do século XX, nas quais predominaram vistas do Bósforo, marinhas e cenas da vida quotidiana. A mostra incluiu dez obras pertencentes à colecção do CAM-JAP executadas por pintores portugueses que, à semelhança dos seus contemporâneos turcos, fizeram a sua formação artística em Paris.