FCG Secção: Museu
  • 1974
  • Tela
  • Óleo
  • Inv. 79PE96
  • Pintura
  • Outra Arte Internacional

Maria Helena Vieira da Silva

La bibliothèque en feu [A biblioteca em fogo]

Esta obra insere-se numa das temáticas privilegiadas de Vieira da Silva, as bibliotecas. Há temas que ressurgem periodicamente desde cedo, mas de forma diferente, sem analogias de séries mas antes tratados, retomados, desenvolvidos ou metamorfoseados em múltiplas direcções. Vieira da Silva sempre evocou a importância da biblioteca do avô materno, na casa onde viveu entre 1911 e 1926. Educada em casa, num mundo de adultos, a jovem Maria Helena fazia da imaginação e dos livros poderosos aliados na sua solidão e na descoberta do mundo. A biblioteca terá sempre um lugar fundamental na vida e obra da artista, assim como o carácter mágico e o mistério que a envolvem. Espaço simbólico e importante referência, a biblioteca foi representada inúmeras vezes como estrutura identificável e metáfora dos universos que concentra. Mas o entendimento da pintura de Vieira da Silva não se cinge a uma mera análise iconográfica. Os temas de eleição, ressurgindo no tempo, não interferem por si só na essência da obra: um tabuleiro de xadrez ou uma cidade podem ter correspondência com uma biblioteca, uma gare, uma estante, na pesquisa da espacialidade e orientando o seu mundo imagético.

 

Já em 1949, uma primeira Biblioteca constituiu um marco num novo tipo de concepção espacial, re-criando a perspectiva clássica numa multiplicação dos pontos de fuga. Noutra direcção de pesquisa da definição do espaço e numa fase muito mais matura do seu percurso, La bibliothèque en feu (A biblioteca em fogo) constitui outro exemplo notável de estruturação do espaço. A grelha tende a suplantar a perspectiva – elementos estruturais e recorrentes do trabalho pictórico de Vieira da Silva – e o plano remete para a bidimensão, para a essência física da pintura. Tal como outros elementos construtivos o grande formato do suporte foi também equacionado. A tela está imperceptivelmente cosida de alto a baixo exactamente na vertical a meio da pintura, unindo duas partes iguais. Um quadriculado ocupa toda a superfície, com um tratamento pictórico diferente nos quadrados lisos da moldura; mais elaborado e gráfico na parte interna. A pintura divide-se em superfícies aparentemente regulares, sendo os quadrados da parte central subdivididos em dois ou quatro. A grelha confunde-se com a quadrícula cujo ritmo regular não sossega. A luminosidade e o tratamento diferente entre o centro e o exterior produz um obscurecimento da parte central, sugerindo profundidade e concentração do espaço. Cada uma das zonas tem uma organização e uma dinâmica próprias que, com a instabilidade da cor e da luz, realçam a importância das margens. Com uma perícia e uma minúcia notáveis, cada traço e cada pincelada são doseados para obter um efeito de profundidade ilusório, meramente pictural. A cor tem um papel fundamental na espacialidade própria de cada enclave. Associado ao fogo, o vermelho é a cor predilecta das bibliotecas de Vieira; corresponde a um certo intimismo e à evocação de espaços interiores.

 

 

Marina Bairrão Ruivo

Maio de 2010

 

TipoValorUnidadesParte
Altura158,4cm
Largura178,4cm
Altura162,4cm
Largura182,4cm
Profundidade3,6cm
Tipo assinatura
TextoVieira da Silva
Posiçãofrente, canto inferior direito
Tipo data
Texto1974
Posiçãofrente, canto inferior direito
TipoAquisição
Data27 Junho 1979
Hors Catalogue - Un projet Gulbenkian à propos de sa collection
Amiens, Maison de la Culture d'Amiens, 1997
ISBN:2 903082 70 8
Catálogo de exposição
Inauguração do CAM
CAM/FCG
Curadoria: A definir
20 de Julho de 1983
Lisboa, Centro de Arte Moderna/ FCG
20 de Julho 1983.
Trazos Cercanos: Artistas en el siglo XX Portugués
Centro Cultural Caixanova
Curadoria: Marisa Oropesa
30 de Março de 2006 a 7 de Maio de 2006
Sala de exposições do Centro Cultural CaixaNova, Vigo
11 de Maio de 2006 a 9 de Junho de 2006
Centro Social CaixaNova, Ourense
Exposição com trabalho de Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, José de Guimarâes, Jorge Martins, Paula Rego, Maria Helena Viera da Silva, Júlio Pomar e Ângelo de Sousa.
Vieira da Silva
Maison des Arts et Loisirs
Curadoria: A definir
1976-10-09 a 1976-11-07
Maison des Arts et Loisirs, Sochaux
Exposição individual, em Sochaux, no ano de 1976.
Vieira da Silva, oeuvres de 1931 à 1975
A definir
Curadoria: A definir
1976-11-20 a 1977-01-16
Musée d'Etat

Musées de Metz, Metz
Exposição apresentada em Luxemburg e Metz, entre 20 de Novembro de 1976 e 16 de Janeiro de 1977.
Vieira da Silva, 1931-1976
Nordjyllands Kunstmuseum
Curadoria: A definir
1978-04-01 a 1978-04-30
Nordjyllands Kunstmuseum, Aalborg
Exposição individual, em Aalborg, no ano de 1978.
Vieira da Silva, artista convidada
20ª Bienal Internacional de São Paulo
Curadoria: A definir

São Paulo
Exposição individual, em São Paulo, no ano de 1989
Vieira da Silva dans le collections portugaises
Musées Royaux des Beaux-Arts
Curadoria: A definir
1991-09-29 a 1991-12-08
Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, Bruxelas
Exposição individual, em Bruxelas, no ano de 1991.
Vieira da Silva et Arpad Szenes
Douzième Festival International de l'Art Contemporain
Curadoria: A definir
1975-03-19 a 1975-04-07
Palais des Congrès, Royan
Exposição individual, em Royan, no Palais des Congrès, no ano de 1975.
Vieira da Silva nas Colecções portuguesas
Fundação Calouste Gulbenkian
Curadoria: Museu de Arte Moderna de São Paulo
Abril de 1987
Museu de Arte Moderna de São Paulo
Exposição individual, em São Paulo, no ano de 1987.
Vieira da Silva
Fundação Calouste Gulbenkian
Curadoria: A definir
1988-06-13 a 1988-08-14
Fundação Calouste GUlbenkian
1988-09-22 a 1988-11-21
Galeries nationales du Grand Palais
Exposição individual, realizada em Lisboa e Paris, no ano de 1988. A exposição contou com a organização da Fundação Calouste Gulbenkian e do Grand Palais, Paris.
Vieira da Silva
Fundación Juan March
Curadoria: A definir
1991-05-17 a 1991-07-07
Fundación Juan March, Madrid
Exposição individual, em Madrid, no ano de 1991.
Espaces Intuitifs
Maison pour Tous
Curadoria: A definir
1975-10-02 a 1975-10-30
Maison pour tous, Saint-Quentin-en-Yvelines
Exposição colectiva, em Saint-Quentin-en-Yvelines, no ano de 1975.
Ecole de Paris
Palazzo Reale
Curadoria: A definir
Setembro de 1978 a Novembro de 1978
Palazzo Reale, Milão
Exposição colectiva, realizada em Milão, no ano de 1978.
Escola de Paris 1956-1976
Serviço de Exposições e Museografia/FCG
Curadoria: Fundação Calouste Gulbenkian
Exposição colectiva, realizada em Lisboa, no ano de 1979.
Hors Catalogue - Un projet Gulbenkian à propos de sa collection
CAMJAP/FCG
Curadoria: João Fernandes
Dezembro de 1996 a Fevereiro de 1997
Casa da Cultura de Amiens, França
Uma co-produção da Casa da Cultura de Amiens e do Serviço de Belas-Artes e do CAMJAP da Fundação Calouste Gulbenkian. Esta exposição tem origem numa proposta de Augusto Rodrigues da Costa, responsável pela programação de artes plásticas da Casa da Cultura de Amiens.
VIEIRA DA SILVA - Obras do Centro de Arte Moderna JAP e da Fundação AS-VS
Centre Culturel Calouste Gulbenkian
Curadoria: Marina Bairrão Ruivo
13 de Junho de 2007 a 18 de Outubro de 2007
Centro Cultural Calouste Gulbenkian, Paris
25 de Outubro de 2007 a 16 de Março de 2008
Fundação Arpad-Szenes - Vieira da Silva
Organização conjunta do Centro Cultural C G em Paris e da Fundação Arpad-Szenes Vieira da Silva em Lisboa. Com a colaboração do Centro de Arte Moderna. Co-comissária da exposição - Ana Vasconcelos e Melo.
Maria Helena Veira da Silva. Le labyrinthe du temps
Palazzo Magnani
Curadoria: Palazzo Magnani
11 de Março de 2003 a 5 de Junho de 2003
Palazzo Magnani
Exposição organizada pelo Palazzo Magnani em colaboração com o Comité Szenes - Vieira da Silva de Paris. Inauguração dia 29 de Março às 18h00.
Arpad Szenes e Viera da Silva
Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva
Curadoria: Marina Bairrão Ruivo
2 de Dezembro de 2000 a 14 de Janeiro de 2001
Centro Cultural de Aveiro
Exposição organizada pela Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva em colaboração com o Centro Cultural de Aveiro.