• 1983
  • Tinta, Corda, Algodão, Lâmpada, Fio eléctrico, Mesa e Tecido
  • Inv. 84E580
  • Escultura
  • Arte Portuguesa

Maria Beatriz

Homenagem a Almada

Adquirida para a colecção do CAM em 1984, Homenagem a Almada é uma instalação cujas características intencionalmente pobres se revelam num arranjo com materiais comuns, numa cenografia ao mesmo tempo severa e parcimoniosa.

A crueza da luz branca que uma lâmpada suspensa no fio eléctrico difunde corresponde à incorporação de tecidos de aparência suja e enrugada, no chão e sobre a mesa, pequena e simples: dois pares de luvas em tecido de algodão - embebidas de tinta rosa e amarradas por uma corda igualmente revestida de tinta rosa -, repousam sobre o tampo da mesa. No chão, sobre um tecido branco, pautado, amarrotado e salpicado de negro, a artista transcreve um excerto do poema A Invenção do Dia Claro (…) acompanhada das confidências mais íntimas e gerais de Almada Negreiros (1921), a quem a presente instalação é dedicada: Ata as tuas mãos às minhas dá um nó cego muito apertado eu quero ser qualquer coisa da nossa casa como a mesa…

Revestida de uma pátina preta mate que lhe confere um aspecto sólido, perene e austero simultaneamente, a mesa é, nesta peça como no conjunto da obra de Maria Beatriz, um objecto plástico e um símbolo recorrente da sua indagação autobiográfica e mnésica, aparecendo em séries de desenhos e recortes desenvolvidos entre 1980 e 1984 e retomado posteriormente, no conjunto de fotografias que integram a série Vita Brevis, realizada entre 1999 e 2002 de que o CAM possui oito exemplares.

 

 

AFC

 

Março de 2011

 

 

TipoValorUnidadesParte
Altura180cm
Largura79cm
Profundidade50cm
Largura79cmmesa
Altura85cmmesa
Profundidade50cmmesa
TipoAquisição
DataOutubro de 1984