2 Agosto 2019

A explosão da cor

A pintura de Harold Cohen e Alan Davie

Sinais de Fumo nº 1 (pormenor)Alan Davie (1920-2014), 1960. Óleo sobre tela. Coleção Moderna

Constant, de 1962, de Harold Cohen e Smoke Signals no 1, de 1960, de Alan Davie integraram o conjunto de pinturas de artistas britânicos que viajaram diretamente de Londres para Bagdade para serem expostas na Semana Cultural Gulbenkian, em novembro de 1966, no Modern Art Centre de Bagdade.

Durante os anos 60, ambos os artistas se preocuparam com a utilização da cor, quer como problema de representação (Harold Cohen) quer com interesse pelo inconsciente, improviso e pela música (Alan Davie). É em torno da abstração, da organização espacial, da explosão cromática e alongando a importância das margens da pintura que estas duas obras recorrem à experimentação da cor na pintura.

O dinamismo da pintura, o movimento das formas, a nova conceção do espaço pela larga escala das telas são pontos nevrálgicos que ligam estes artistas e ambas as obras.

Desde o início da sua carreira que Harold Cohen se preocupa com a expressão e emoção potencial da cor. Em Constant, a irregularidade das formas permite ao olho ficar rapidamente comprometido com o contraste entre cores primárias e cores secundárias. Outras obras do mesmo ano exploram esta espacialidade dos efeitos criados por diagonais, simetrias, assimetrias e uma tensão constante entre repetição e variação.

Na pintura de Alan Davie há uma preocupação com o gesto, mas também com um estado de espírito xamânico, «pintar de mente vazia», como dizia, num processo de espontaneidade, improviso e marcações rítmicas, tal como no jazz. Davie tocou vários instrumentos, e a seguir à II Guerra Mundial tocou saxofone num grupo de músicos profissionais do jazz viajando pela Europa. O artista referiu: «Há uma relação entre o jazz e o que faço com um pincel: improvisação e acaso».

As suas pinturas são produzidas entre um estado consciente e meio-consciente, aproximando-se de uma arte primitiva: na intuição, com propósitos espirituais e na intensidade da qualidade da dinâmica.Smoke Signals no 1 capta o fumo efémero num amarelo de açafrão: imagens de formas abstratas da realidade mas suspensas num espaço indeterminado. Cigarros, formas microbianas a esvoaçar pela tela, com uma sugestão de uma boca e dentes no canto inferior esquerdo da pintura.

Patrícia Rosas

 

 

Atualização em 02 Agosto 2019