15 Abril 2020

Luís Noronha da Costa (1942-2020)

Noronha da Costa faleceu no passado dia 9 de abril aos 77 anos. Destacou-se no panorama artístico português pela pesquisa original que preconizou em torno dos fenómenos da imagem e da perceção.

Luís Noronha da Costa, «Do Subnaturalismo ao Sobrenaturalismo (Pintura Fria)», 1988. Tinta sobre tela. Coleção Moderna

Noronha da Costa formou-se em Arquitetura e foi um artista inovador. Na segunda metade dos anos 60, começou a participar na cena artística nacional trabalhando compulsivamente no seu ateliê e produzindo um leque de trabalho muito vasto. Está representado na Coleção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian com 27 obras, entre objetos e pintura.

Noronha da Costa começa a trabalhar com colagens de recortes de jornal embebidos em óleo de linho e com objetos. Os objetos «azuis» de 1968 exploram já o «efeito-ecrã» – conceito que vai permanecer ao longo da sua carreira –, e são produzidos com o recurso a espelhos e vidros foscos. Na mesma altura inicia o uso pioneiro da pistola de spray, de execução mais rápida, que lhe permite criar um jogo de reflexos e de imagens difusas que marcaram a sua obra.

Em 1969, quando participa na Bienal de São Paulo, Noronha da Costa apresenta uma série de pinturas na Galeria Quadrante e resume as suas principais preocupações concetuais: «Se há humor nos quadros aqui presentes, julgo que ele reside, precisamente, na crítica radical que pretende fazer a todo o realismo. O “herói” deste quadro é o ecrã, quanto a mim sempre existente entre nós e o real.»

Em toda a sua obra seguiu uma «experimentação moderna», nas palavras de José Gil, que passou também por experiências ao nível do cinema experimental, e, na pintura, na desconstrução da imagem e citação dos clássicos, ou na criação de novas escalas, grelhas, como é evidente nas pinturas negras de 1977/1978 . Ao longo do seu percurso continuou as suas pesquisas em torno da imagem utilizando uma diversidade de técnicas de pintura, como o spray, o pastel, a têmpera vinílica, ou as tintas celulósicas.

Luís Noronha da Costa, «Composição Azul», 1970. Tinta celulósica sobre tela. Coleção Moderna

Em 1979 a Fundação Calouste Gulbenkian atribui-lhe uma bolsa e em 1983 organiza a exposição sobre a série dos «Mares Portugueses», criando uma rutura com o passado, numa espécie de explosão da pintura, do ecrã, do azul.

Em 2003 o seu trabalho foi alvo de uma importante retrospetiva no Centro Cultural de Belém.