8 Junho 2020

Christo Javacheff

Christo Javacheff faleceu no passado domingo, 31 de maio, aos 84 anos, em Nova Iorque. Por ter pertencido ao grupo KWY, o artista expôs em Lisboa, cruzando-se com a arte portuguesa dos anos de 1960.

Christo Javacheff, «Surface d'Empaquetage», 1960. Tinta sobre papel. Coleção Moderna

Christo nasceu em 1935 na Bulgária e ficou internacionalmente conhecido por embrulhar monumentos espalhados pelas cidades de todo o mundo.

Na Coleção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian encontra-se uma obra que faz parte de uma série de relevos texturados que o artista começou a produzir em 1958, intitulada Surfaces d’Empaquetage. São obras em papel, acumulado e esmagado, que Christo dobrava com uma série de camadas de tinta e com laca escura, dando uma ideia de empastelamento, como acontece com a obra da Coleção Moderna, de 1960. Desde cedo, foi importante para Christo sentir uma superfície tátil rica nas suas peças, o que  lhe permitiu criar objetos tridimensionais. Estes objetos foram vistos pela primeira vez em Lisboa em dezembro de 1960, na exposição do grupo KWY,  que decorreu na Sociedade Nacional de Belas-Artes. Subsidiado pela Fundação, nomeadamente no transporte das peças e no aluguer do espaço, o grupo constituído por Lourdes Castro, René Bertholo, José Escada, António Costa Pinheiro, João Vieira, Gonçalo Duarte, Jan Voss e Christo apresentou um conjunto de obras produzido entre 1959 e 1960. Foi por esta ocasião que a Fundação, para apoiar os jovens artistas, adquiriu um conjunto de peças que fazem hoje parte da Coleção Moderna, como esta obra do início da carreira do artista búlgaro.