4 Janeiro 2021

As exposições de 2021

Um olhar histórico sobre a coleção moderna e contemporânea da Fundação, um encontro singular entre dois artistas – Jorge Queiroz e Arshile Gorky –, «Visões de Dante», uma grande exposição dedicada a Hergé, pai de Tintim, e mostras individuais de Hugo Canoilas e Fernão Cruz são as propostas para 2021.

Museu Calouste Gulbenkian © Ricardo Oliveira Alves

Histórias de uma Coleção. Arte Moderna e Contemporânea da Fundação Gulbenkian
5 mar – 23 ago 2021

Numa altura em que o Centro de Arte Moderna está encerrado para obras de renovação, a Fundação Gulbenkian apresenta, entre 5 de março e 23 de agosto de 2021, a exposição Histórias de uma Coleção. Arte Moderna e Contemporânea da Fundação Gulbenkian. Esta mostra segue a linha de aquisições das obras ao longo dos anos, detendo-se nos seus momentos-chave e nas circunstâncias históricas e artísticas que fazem do CAM uma coleção ímpar, composta por nomes maiores da arte moderna e contemporânea nacional e com relevantes pontuações internacionais. Esta coleção começou a ser constituída no final da década de 1950, com o objetivo de integrar exposições temporárias itinerantes dentro e fora de Portugal,  fixou-se num edifício próprio em 1983 e conta, atualmente, com cerca de 12 mil obras. A curadoria é de Ana Vasconcelos, Leonor Nazaré, Patrícia Rosas e Rita Fabiana.

 

Amadeo de Souza-Cardoso, Sem título (Coty), 1917. Óleo e colagem sobre tela (areia, vidro, papel, cola e espelho)
 

Jorge Queiroz e Arshile Gorky
5 mar– 31 mai 2021

Um encontro imaginado entre dois artistas com uma obra singular – Jorge Queiroz e Arshile Gorky – tem lugar na galeria do piso inferior do Museu Calouste Gulbenkian entre 5 de março e 31 de maio de 2021. Jorge Queiroz (Lisboa, 1966), é autor de um dos mais fascinantes universos artísticos no panorama atual da arte portuguesa, e Arshile Gorky (Khorkom, Arménia, c. 1904-Sherman, Connecticut, 1948) é considerado o «pai» do expressionismo abstrato americano do pós-guerra e uma referência fundamental da arte ocidental da primeira metade do século XX. A curadoria é de Ana Vasconcelos.

 

Jorge Queiroz, «Something in common 2», 2015. © Jorge Queiroz, cortesia do artista e Galerie Nathalie Obadia, Paris/Bruxelas

 

Hugo Canoilas
2 jul –  27 set 2021

Hugo Canoilas (Lisboa, 1977) apresenta  um projeto concebido para a galeria temporária do Museu Gulbenkian, prosseguindo uma investigação iniciada em 2020, em torno dos fundos marinhos, dos ambientes aquáticos e dos organismos primitivos que os habitam. O artista, que vive e trabalha em Viena, propõe uma instalação intensa e sensorial, habitada por pinturas-esculturas, «novas formas de vida» onde a cor, as texturas-tessituras e a fluidez lhes confere uma qualidade quase alquímica, como se, sob o nosso olhar, estivessem em plena metamorfose. Com curadoria de Rita Fabiana, a exposição pode ser vista entre 2 de julho e 27 de setembro de 2021.

 

Visões de Dante. O Inferno segundo Botticelli
23 set – 27 nov 2021

A propósito das comemorações dos 700 anos da morte de Dante Alighieri (1265-1321), entre 23 de setembro e 27 de novembro de 2021, a Galeria do Renascimento do Museu Calouste Gulbenkian, acolhe Visões de Dante. O Inferno segundo Botticelli, que dará a ver dois excecionais desenhos sobre pergaminho de Sandro Botticelli (1445-1510) alusivos ao «Inferno» de A Divina Comédia e também dois manuscritos de Jacopo della Lana e de Boccaccio, cedidos pela Biblioteca Apostólica Vaticana. A mostra integra ainda um exemplar do manuscrito dantesco proveniente do acervo da Biblioteca Nacional de Portugal, que foi propriedade de Frei Manuel do Cenáculo, bem como um conjunto de obras da Coleção Calouste Gulbenkian. Uma escultura e desenhos de Rui Chafes, em estreita referência ao «Inferno» de Dante, juntam-se a esta mostra que tem curadoria de João Carvalho Dias.

 

Hergé
7 out 2021 – 10 jan 2022

A Galeria Principal do Edifício Sede vai ser palco de Hergé, uma exposição que reúne uma importante seleção de documentos, desenhos originais e várias obras criadas pelo célebre autor de Tintim, entre 7 de outubro de 2021 e 10 de janeiro de 2022. Apresentada pela primeira vez  no Grand Palais, em Paris, e organizada em colaboração com o Museu Hergé de Louvain-la-Neuve, a mostra revela as múltiplas facetas de uma personalidade artística de referência, da ilustração à banda desenhada, passando pela publicidade, imprensa, desenho de moda e artes plásticas. Para os fãs e não só, é uma oportunidade única de descobrir os tesouros dos estúdios Hergé: pranchas originais, pinturas, fotografias e documentos de arquivo.

 

Morder o Pó, de Fernão Cruz
22 out 2021 – 17 jan 2022

Primeira exposição individual, em contexto institucional, de Fernão Cruz (Lisboa, 1995), um jovem artista que nos interpela com a formulação inquieta de uma pergunta sobre a morte, tão antiga quanto a humanidade. Sendo a pintura um espaço de ficção exaltado pelo humor e por gestos expansivos, passa também a ser, neste projeto intitulado Morder o Pó, porta basculante para outra dimensão: uma passagem estreita e um lugar escurecido onde a escultura fica em queda livre, num abismo insondável. Com curadoria de Leonor Nazaré, a mostra pode ser vista de 22 de outubro de 2021 a 17 de janeiro de 2022 na galeria do piso inferior do Museu Calouste Gulbenkian.

 

Tudo o que eu quero.
Artistas Portuguesas de 1900 a 2020

25 fev – 23 mai 2021, BOZAR, Bruxelas
2022, Centre de création contemporaine Olivier Debré, Tours
Final de 2022 – 2023, Fundação Calouste Gulbenkian

 

Aurélia de Souza, «Autorretrato», 1900. Óleo sobre tela. Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto. © MNSR/DGPC/ADF/Manuel Palma
Helena Almeida, «A casa», 1979. Prova positiva a preto e branco gelatina sal de prata e tinta acrílica azul. Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual. © Cortesia Ar.Co

No âmbito da Presidência de Portugal na União Europeia realiza-se, com o apoio da Fundação Gulbenkian, a exposição Tudo o que eu quero. Artistas Portuguesas de 1900 a 2020. Partindo do icónico autorretrato de Aurélia de Souza, pintado em 1900,  apresenta-se uma seleção de artistas mulheres portuguesas desde o início do século XX até hoje, propondo uma reflexão focada num contexto de criação que durante muitos séculos foi quase exclusivamente masculino. Estarão presentes 41 artistas de referência, como Maria Helena Vieira da Silva, Lourdes Castro, Paula Rego, Ana Vieira, Salette Tavares, Helena Almeida, Joana Vasconcelos, Maria José Oliveira, entre muitas outras. As obras, vinda de coleções públicas, particulares e também acervos de artistas, incluem pintura,  escultura,  desenho,  objeto,  livro,  instalação,  filme e vídeo.

Com curadoria de Helena de Freitas e Bruno Marchand, é apresentada no BOZAR, em Bruxelas, de 25 de fevereiro a 23 de maio de 2021, no Centre de création contemporaine Olivier Debré de Tours em 2022, integrada no programa geral da Saison France-Portugal, e do final de 2022 a 2023, na Galeria Principal da Fundação Calouste Gulbenkian.