«Os Loucos Anos 20»

Arte Moderna no Bristol Club

O Bristol era o mais moderno dos clubes noturnos que, em Lisboa, se situavam entre o Chiado e a Avenida da Liberdade, perto de várias casas de espetáculos, algumas então recentemente inauguradas. Ficava mais concretamente no cruzamento da Rua do Jardim do Regedor (onde ainda hoje se pode ver uma das suas portas, com decoração Arte Nova em latão) com a Rua das Portas de Santo Antão. Foi inaugurado em 1918 e totalmente remodelado entre 1925-1926 por iniciativa do seu proprietário, Mário Ribeiro, que decidiu fazer dele a primeira galeria de arte moderna em Portugal (juntamente com o café «A Brasileira», no Chiado).

Para o Bristol, foram adquiridas esculturas de Leopoldo de Almeida e Canto da Maya – a Tragédia e a Comédia pertencentes à Coleção Moderna –, e pinturas a Almada Negreiros, António Soares, Eduardo Viana e Lino António, estando expostas no piso superior da Coleção Moderna as pinturas realizadas por estes dois últimos artistas. Enquanto Viana nos oferece um Nu de costas, expressivo na forma e na abundante e contrastante utilização da cor, Lino António opta por nos dar a atmosfera do clube, com uma figura feminina que exibe um novo padrão físico e o corte de cabelo característico da época («à garçonne»). As «mulheres do Bristol» divertiam-se, fumavam, bebiam e dançavam. O clube acolhia muitas artistas estrangeiras que lançavam novas modas e mudavam a mentalidade das mulheres portuguesas. Em 1927, a ditadura militar recentemente instaurada começou a fechar todos estes clubes, entre eles o Bristol, a pretexto da dissolução de costumes que causavam.