3 Dezembro 2018

Oriente-Ocidente

Atravessar culturas através dos tempos. Itália e o Império Otomano, 1500

Des Museu Dir 2
Coleção do FundadorVista da exposição

A mais recente intervenção apresentada na Coleção do Fundador rompe com o conceito tradicional de categorias históricas e analisa as ligações existentes entre duas culturas aparentemente distantes, partindo do exemplo de Calouste Gulbenkian como um colecionador transnacional. Ao longo da sua vida, Gulbenkian procurou reunir objetos oriundos do Oriente e do Ocidente, expondo-os lado a lado na sua casa e atribuindo-lhes a mesma importância. Quando a sua coleção de arte foi instalada no Museu Calouste Gulbenkian, após a sua morte, as obras foram organizadas geograficamente, seguindo uma cronologia, e Ásia e Europa acabaram por ficar divididas. Contudo, alguns dos objetos mais interessantes representam fortes ligações entre Oriente e Ocidente.

O projeto Atravessar culturas através dos tempos pretende explorar estes diálogos de forma mais profunda. A primeira apresentação debruça-se sobre as trocas realizadas entre a Europa e o Médio Oriente, nomeadamente entre a Itália e o Império Otomano, por volta de 1500. Entre os temas contemplados estão artesãos, objetos, padrões e técnicas, além da iconografia da representação dinástica e do poder.

A seleção de objetos põe em evidência os intercâmbios entre Veneza e Istambul e inicia-se em 1479 com a encomenda de uma medalha com o retrato do sultão Mehmed II ao famoso artista veneziano Gentille Bellini. Mehmed escolheu este formato porque acreditava ser a melhor forma de representar o seu poder e a sua ligação direta aos imperadores dos antigos impérios romano e bizantino. Simultaneamente, usava roupas concebidas a partir de tecidos italianos. Os têxteis eram apreciados em ambas as regiões e usados para revelar um determinado estatuto social: o parasol, por exemplo, era usado pelo doge de Veneza, e os cafetãs pelas classes dominantes. Simultaneamente, um novo estilo, nascido na corte de Istambul, influenciou a arte veneziana.

Ao mesmo tempo, o declínio da indústria do vidro no Egito e na Síria conduziu ao seu crescimento em Veneza, que começou a exportar em larga escala para o Império Otomano. A apresentação termina com a comparação entre as tradições arquitetónicas da cerâmica vidrada de Della Robbia em Florença e em Iznik. Embora pareçam diferentes, os ceramistas das duas regiões respondiam aos desafios económicos de formas semelhantes. Estes paralelos evidenciam as relações com a região do Mediterrâneo Oriental.

A intervenção engloba toda a galeria, centrando-se numa nova vitrina, desenhada especialmente para o espaço por Mariano Piçarra, que inclui os objetos-chave desta história. Uma nova vitrina para a apresentação de livros e medalhas complementa esta apresentação, que irá ser rotativa, mudando anualmente.

Atualização em 07 Dezembro 2018