3 Dezembro 2018

Novidades na Coleção Moderna

Novos temas, obras inéditas e recentes aquisições em exposição na Coleção Moderna.

Coleção ModernaVista da exposição

A partir de novembro, são apresentados dois novos núcleos no piso 1. Na sala dedicada aos anos de 1940 e 1950, expõe-se, pela primeira vez, um conjunto significativo de pinturas neorrealistas de artistas portugueses. Estas obras, de pintores como Júlio Resende, Júlio Pomar, Abel Salazar e José Viana, privilegiam a figuração e têm como principais temas o trabalho, a representação social, a repressão política e o quotidiano. Na sala dedicada à década de 1960 apresentam-se obras que estiveram na exposição de arte internacional promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian em Bagdade, em 1966. Estes trabalhos, da autoria de artistas portugueses e ingleses, como Allen Jones, Peter Phillips ou João Vieira, mostram, sobretudo, as diferentes formas que a arte abstrata adotou no pós-Segunda Guerra Mundial.

O hall de entrada apresenta uma série de pinturas de Ana Jotta, de 2008, realizadas sobre ecrãs de projeção recuperados, nos quais se inscrevem, alternadamente, as imagens pintadas na frente e, no verso, os títulos das obras. Imagens e palavras que pertencem a uma coleção de memórias da artista e que evocam a história da pintura, filmes, livros e ilustrações de jornais.    

Na nave principal foram agora integradas fotografias a preto-e-branco de Craigie Horsfield, John Coplans e Victor Pomar. Simultaneamente, regressam à nave e ao piso inferior duas obras de Helena Almeida, nomeadamente Corte Secreto ePintura Habitada. Um novo conjunto de trabalhos em papel integra a nova apresentação no piso inferior, incluindo gravuras de Luísa Correia Pereira, doadas pela artista enquanto bolseira da Fundação, e desenhos de Fernando Calhau, Alexandre Conefrey e João Queiroz.

Ainda no piso inferior, pode ser visto um conjunto de catálogos que documentam as representações de Portugal na Bienal de São Paulo, entre 1959 e 1975. Com esta presença, naquela que se tornaria numa das mais importantes bienais da segunda metade do século XX, a arte portuguesa contemporânea teve as primeiras oportunidades de divulgação e de internacionalização.

Uma das aquisições mais recentes que está agora exposta na nave principal, é a peça de Carla Filipe, Mãos vazias: a mão não é só um órgão de trabalho, mas também produto deste, de 2011-2013, que reúne um conjunto de 41 utensílios obsoletos de ferro e madeira ligados ao trabalho rural, objetos que já são memória de um trabalho manual que tende a desaparecer. No piso 1, a pintura de grande formato de Luísa Jacinto, Threshold V, adquirida em meados de 2018 e datada de 2017, é agora apresentada ao público, e revela um espaço arquitetónico dividido em duas áreas: um traço mais difuso e abstrato, difícil de distinguir, e uma zona mais visível, chão e teto definido por linhas marcantes da composição.

 

Atualização em 22 Maio 2019