29 maio 2019

Nova apresentação da Coleção Moderna

Uma proposta de percurso expositivo, obras inéditas e aquisições recentes marcam as mudanças na Coleção Moderna

Malangatana, «Porque a alma vive eternamente» (pormenor), 1970. Coleção Moderna

A renovação anual da exposição da Coleção Moderna é apresentada ao público a partir de 31 de maio e pretende convidar o visitante a um novo olhar sobre a coleção. As obras expostas, que percorrem os séculos XX e XXI, são mais de 420 e estendem-se pelo hall, pelas salas de vídeos e pelos três pisos da exposição da coleção. Esta mudança envolveu cerca de 130 obras, incluindo aquisições recentes de desenhos de Jorge Barradas ou Ângela Ferreira, bem como a instalação em vídeo que reconta o mito de Eco e Narciso de Grada Kilomba, que pode ser vista no hall do museu, ou trabalhos em terracota de Jorge Vieira e uma recente escultura com luz de Pedro Cabrita Reis. Uma parte da doação do arquiteto Álvaro Siza Vieira de desenhos e bordados, produzidos na década de 1960 por Maria Antónia Siza, está exposta numa sala inteiramente dedicada a esta artista pouco conhecida, prematuramente desaparecida e mostrada pela primeira vez em Lisboa na Fundação Calouste Gulbenkian.

Mas há mais novidades no piso da pintura. Na sala dos anos de 1960 e 1970, destacamos Manolo Millares, Maria Gabriel, Menez e Gillian Ayres, ou os artistas moçambicanos Malangatana e Bertina. Na nave, apresentamos, pela primeira vez, a peça de Clara Menéres, de 1987, Lapis Cognitionis, e repomos, passados cinco anos, a instalação de Leonor Antunes dedicada ao vento «mistral».

A Coleção Moderna apresenta também ao público salas renovadas com obras cuja temática se centra na representação da figura feminina. Salientamos os desenhos e as pinturas, uns mais e outros menos vistos, de Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros, expostos nas primeiras salas do piso inferior e superior, num total de 24 obras.

Propõe-se igualmente um percurso temático na exposição permanente que destaca obras de 48 artistas mulheres representadas na coleção, apresentando pinturas, desenhos, têxteis, fotografias, vídeos, esculturas e instalações. São apresentados trabalhos – em grande parte desconhecidos do público – de Mily Possoz ou Ofélia Marques das décadas de 1920 e 1930, peças emblemáticas de Paula Rego, Helena Almeida ou Ana Vieira, mas também pinturas e esculturas recentemente adquiridas produzidas por jovens artistas, como Ana Cardoso, Luísa Jacinto ou Sara Bichão.

Ilustrações para livros e revistas pertencentes à Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, realizadas sobretudo nas décadas de 1920 e 1930 por artistas mulheres, são expostas na grande vitrina do piso inferior. Também pertencentes à Biblioteca, destacamos uma série de livros de artista de produção recente e de grande diversidade temática, desde o foto-livro ao livro de exposição, passando pelo livro mais matérico e serigrafado.