16 Dezembro 2019

Natividade

Em época de Advento, a vitrina dos livros manuscritos do Museu Calouste Gulbenkian recebe dez livros de horas, realizados entre os séculos XV e XVI, com representações iconográficas do nascimento de Cristo.

A arte da miniatura – assim designada pela escala diminuta das pinturas – encontrou o seu expoente máximo entre a Idade Média e o início do Renascimento. Produzidas em ateliês muito especializados, por vezes realizadas a mais do que duas mãos, estas pinturas era usadas sobretudo na ornamentação de livros manuscritos.

Livro de Horas de René II, Duque da Lorena. França, 1473-1479. Manuscrito sobre pergaminho, fol. 27v. Coleção do Fundador

Celebrando a presente época festiva, os livros de horas expostos na Coleção do Fundador, realizados entre os séculos XV e XVI em França, na Flandres e em Itália, encontram-se agora abertos na cena da Natividade. A partir do século XV, como se pode ver nos exemplares em exposição, as representações do nascimento de Jesus passaram a integrar as figuras da Virgem Maria e de São José a adorar o Menino.

Livro de Horas, incunábulo. Paris: Philippe Pigouchet, 1498. Impresso sobre velino, fol. 34v. Coleção do Fundador

Entre os livros selecionados encontra-se um incunábulo – designação atribuída aos livros impressos nos primórdios da imprensa, entre 1455 e 1500 –, no qual podem ser observadas outras cenas relacionadas com o nascimento de Jesus e que fazem parte da secção do livro de horas conhecida como Horas da Virgem, como a Adoração dos Pastores e a Adoração dos Magos.

Livro de Horas, uso de Roma. França, Poitiers e/ou Tours?, c. 1460-1470. Manuscrito sobre pergaminho, fol. 43v. Coleção do Fundador

Mais do que ilustrarem o texto, estas miniaturas constituem uma interpretação dos principais momentos da vida de Maria, de acordo com os contextos geográficos e culturais em que os livros de horas foram concebidos.

Livro de Horas, uso de Roma. França, c. 1520. Manuscrito sobre pergaminho, fol. 69v. Coleção do Fundador