Mulher da cidade, mulher do campo

Obras sobre papel na Coleção Moderna

António Soares viaja até Paris em 1925 e visita a Exposição Internacional das Artes Decorativas e Industriais Modernas, que o sensibiliza para uma aproximação ao estilo Art Déco. Alguns dos desenhos apresentados são retratos e idealizações da mulher moderna, representada na padronização dos gestos e das poses, em diferentes atitudes, de rosto frequentemente pensativo e ausente. Com esta abordagem e ao pintar estas mulheres modernas, o artista está a abrir caminho para uma tentativa de modernidade refletida na sociedade lisboeta.

A par desta mulher urbana surgem representadas as figuras femininas típicas da Lisboa da época – varinas, leiteiras, vendedeiras, na Rapariga com Manjerico de Paulo Ferreira, na Varina de António Soares ou num Jorge Barradas de traço mais decorativo do que descritivo, embora esteja sempre associado a uma estética do pitoresco.

Mily Possoz, amiga do artista japonês Tsuguharu Foujita – gravador de referência para a sua geração, que viveu em Paris entre 1913 e 1931 –, é influenciada pelo artista nos seus trabalhos em ponta-seca, conjugando a inspiração compositiva e o gosto do detalhe da pintura flamenga quinhentista.