21 março 2019

Maria Antónia Siza

Uma descoberta na Coleção Moderna

Maria Antónia Siza (1940-1973)Sem título, década de 1960. Tinta da China sobre papel. Coleção Moderna

A partir do dia 21 de março, a exposição permanente da Coleção Moderna dedica uma galeria do piso -1 ao trabalho da artista desconhecida e prematuramente desaparecida Maria Antónia Siza (Porto, 1940-1973). Durante a década de 1960, Siza produz ativamente numerosas obras sobre papel, bem como uma série de bordados; alguns destes trabalhos são agora vistos, pela primeira vez, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Oriunda de uma família conservadora com uma educação religiosa muito forte, a artista inscreve-se no curso de Pintura na Escola de Belas-Artes do Porto aos dezassete anos, o que lhe proporciona uma mudança de costumes, sobretudo pelo contacto com artistas como Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro, Armando Alves, entre outros. Logo no primeiro ano de curso, o diretor da escola, o arquiteto Carlos Ramos, felicita-a pela qualidade do seu desenho. Durante a sua vida, só expõe os seus trabalhos uma única vez, na Cooperativa Árvore, no Porto, em 1970.

As trinta e seis obras agora expostas – desenhos a tinta da China, guaches, bordados e alguns estudos – fazem parte de uma doação que inclui mais de cem trabalhos oferecidos pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira à Fundação Calouste Gulbenkian, que incorporaram recentemente o acervo da Coleção Moderna.

O universo da sua obra, muito singular, é espelhado na seleção de desenhos feita para esta apresentação, constituída por obras produzidas durante a década de 1960, de caráter ora mais expressionista, ora mais surrealista: representam figuras grotescas, provocadoras, perturbantes, contorcidas na cama ou no chão, deitadas, estorcidas, viradas do avesso. São seres de palco, coreografados em grupo, percorrendo, amontoados, a página de papel; por vezes, erguem-se isolados nos seus pensamentos, perdidos na folha em branco. De um traço único, de um movimento particular, cada personagem representa um encontro com a artista.