«Anda Pacheco»

Retrato de Pacheko por Mário Eloy

José Pacheco (Lisboa, 1885 – 1934), ou Pacheko na sua assinatura artística de cunho mais internacional, «arquiteto pela graça de Deus», como escrevia, foi nesta pintura retratado por Mário Eloy (1900 – 1951) no ano-chave de 1925. Neste ano, Pacheco colaborou ativamente na remodelação do café «A Brasileira», no Chiado, – que então expôs uma seleção de pintura moderna portuguesa – e concretizou um antigo projeto com a publicação do número 1 da revista Contemporânea, destinada a revolucionar as artes gráficas em Portugal. A revista era dedicada à formação de um «meio culto» que faltava no país, por não se reunirem essas pessoas numa comunhão de ideias. É esse número, com capa de Almada Negreiros, que vemos José Pacheco segurar na mão direita, ao mesmo tempo que nos olha, de pé. Eloy retrata-o numa noturna saída lisboeta, elegantemente vestido, como era habitual nele, de capa preta, smoking e polainas, e escreve-lhe uma dedicatória na tela – «Ao José Pacheko e para a humanidade o Vêr e Saber» –, que expõe no I Salão de Outono (organizado nesse ano por Eduardo Viana).

Pacheco foi uma das mais importantes personalidades do modernismo português, de que foi grande dinamizador, ligado ao grupo do «Orpheu», e muito amigo do poeta Mário de Sá-Carneiro, com quem conviveu vários anos em Paris e para quem realizou as capas do poema Dispersão e do conjunto de oito novelas Céu em Fogo.