África e Outros Territórios

Vista da Coleção Moderna com pinturas de Julião Sarmento, Vitor Pomar, Michael Biberstein e António Charrua

 

África é o título da tela de Charrua, de 1996, que expomos no piso superior da Coleção Moderna e que foi adquirida na sequência da grande retrospetiva que lhe dedicámos em 2015. É uma pintura densa e dramática, na qual as cores negras e térreas e uma grande cruz vermelha nos remetem para memórias difíceis. 

O imaginário ligado às colónias ressurge em diferentes momentos da coleção e continua a estar presente, neste trabalho, mas também no filme de Maria Lusitano no piso inferior, Nostalgia. Neste último, a vida em África surge como paradisíaca, por recuperar aspetos prosaicos da memória do colonizador.

Na proximidade de Charrua, outros territórios se desenham, noturnos, grandiosos e nostálgicos, sob o imperativo da abstração tendencial (Biberstein, Vítor Pomar e Charrua) e/ou duma figuração muito sumária (Julião Sarmento).

Uma tela de Casqueiro e um painel pintado de Pedro Calapez ocupam a zona final do corredor exterior, acentuando declaradamente opções abstratas, expressivamente cromáticas, geométricas e espaciais – um outro modo de definir territórios.