A Cidade e o Campo

Fotografias na Coleção Moderna

No final da década de 1940 e início de 1950, a fotografia portuguesa dividia-se entre a foto-reportagem e a propaganda, patrocinada pelas publicações do Estado Novo. Fernando Lemos surge nesta época, mais precisamente entre 1949-1952, com um conjunto de fotografias, algumas delas de teor surrealista, outras mais intimistas, onde se destacam imagens de uma Lisboa pitoresca, mais liberta das amarras do Estado Novo e que o Surrealismo procurou refletir nas suas obras.

O espaço da fotografia também é um espaço arquitetónico encenado, como nos retrata Victor Palla na imagem de uma bailarina envolta de mesas e cadeiras desenhadas pelo próprio Palla. António Sena da Silva, que, tal como Victor Palla, também foi arquiteto, explora o trabalho e o quotidiano urbano da população e a partida para as colónias nos anos de 1960.

Jacques Minassian, fotógrafo francês que começou a trabalhar em Portugal em outubro de 1973, apresentou um conjunto de fotografias sobre um Portugal ruralizado numa exposição individual, em 1978, na Fundação Calouste Gulbenkian, retratando precisamente um país negro, envelhecido, sofredor, anterior ao 25 de Abril de 1974.