28 Janeiro 2020

A arte da encadernação francesa

A galeria de pintura e escultura do século XIX recebe uma nova apresentação dedicada à arte da encadernação francesa do final do século XIX.

Charles Meunier (1865-1940). Encadernação em marroquim (pormenor), 1897. Para L’Évangile de l’enfance de notre Seigneur Jésus Christ selon Saint Pierre, de Catulle Mendès (1841-1909). Paris: Armand Colin Cie. Éditeurs, 1894. Coleção do Fundador

Além da função de proteger o miolo do livro, a encadernação, por ser o primeiro contacto que se tem com a obra, funciona como o seu cartão-de-visita, destinando-se a captar a atenção do leitor e a seduzi-lo. Este poder de sedução é posto em prática através de técnicas de decoração que passam de geração em geração, mas que procuram acompanhar a evolução dos tempos.

Os livros que atualmente se encontram em exposição na galeria de pintura e escultura do século XIX foram selecionados pela riqueza das suas encadernações e não pelo seu contributo literário. Aqui, a figura do encadernador é posta em evidência: Henri Marius-Michel, Marcellin Lortic, Charles Meunier, J. Zaehnsdorf, Émile Carayon e Léon Gruel são, assim, os protagonistas desta nova apresentação.

A decoração destes volumes faz uso dos elementos florais, mais ou menos estilizados, que produzem padrões geométricos que por vezes se afastam da representação naturalista tradicional. Realizadas no final do século XIX, estas sete encadernações em marroquim são objetos de grande qualidade artística e merecem a nossa atenção tanto pelos planos superiores como pelas contracapas e pelas guardas, que incorporam materiais como a seda, estampada ou lavrada.