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26 out – 04 fev 2019 Exposição

Pose e Variações

Escultura em Paris no tempo de Rodin

Dois colecionadores contemporâneos com uma paixão comum: as coleções de escultura francesa reunidas por Calouste Gulbenkian e Carl Jacobsen são mostradas em conjunto pela primeira vez numa exposição itinerante que se apresenta no Museu Calouste Gulbenkian antes de viajar até à Glyptotek de Copenhaga.

Embora o conjunto de esculturas de Calouste Gulbenkian seja mais reduzido, as obras que o colecionador adquiriu ao longo da sua vida demonstram ligações surpreendentes com as obras da coleção dinamarquesa. Os cruzamentos das duas coleções revelam-se não só nos escultores representados, mas também nos temas e nas próprias esculturas, considerando que, em mais do que uma ocasião, se podem encontrar diferentes versões da mesma obra com variações de escala ou de material.

Estas curiosas coincidências serviram de ponto de partida para esta exposição inédita, que agrupa uma seleção de trinta obras intemporais de acordo com as poses das figuras representadas. Alguns dos artistas que marcaram o século XIX em França, como Rodin, Carpeaux ou Dalou, serão protagonistas dos cinco temas-chave que constituem os núcleos desta apresentação.


NÚCLEOS

Nem sempre se consegue perceber, apenas olhando para uma escultura, se o modelo retratado posou realmente para o escultor. Esta tarefa é mais difícil no caso das representações de crianças, que, naturalmente, têm mais dificuldade em manter a mesma posição durante muito tempo, sobretudo porque os seus corpos ainda se encontram em formação.

Algumas fotografias comprovam a presença de modelos infantis em estúdios de artistas e em algumas situações eram os seus próprios filhos que posavam, por vezes durante horas e em posições desconfortáveis, como foi o caso de Carpeaux e do seu Cupido Ferido. Contudo, quando não havia modelos vivos disponíveis, os escultores recorriam a manequins que, ao contrário dos modelos, permaneciam em poses complexas por tempo indefinido, além de poderem ser posicionados de acordo com as necessidades dos artistas.

Quando podemos ter a certeza de que não houve pose? No sono, quando o modelo não está consciente de que está a ser observado, como na obra de Carpeaux Mulher Sentada Adormecida, que terá sido criada a partir da observação da mulher do escultor; ou na morte, quando o modelo se encontra efetivamente impossibilitado de posar.

 

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Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875). «Cupido Ferido». Paris, 1875. Mármore. Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 2983
53609 Escultura Inv. 104 533x800
Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875). «Cupido Ferido». Paris, 1873-1875. Bronze. Museu Calouste Gulbenkian, inv. 104
MIN 1360 07 533x800
Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875). «Cupido Ferido». Paris, 1873. Gesso. Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 1360

A representação da figura acocorada é conhecida desde a Antiguidade. Embora este tema não esteja exclusivamente ligado à intimidade da mulher, são conhecidas inúmeras versões clássicas de figuras femininas acocoradas, em particular a deusa Vénus, geralmente desempenhando atividades do quotidiano, como tomar banho. Em muitas destas esculturas, os modelos parecem ter sido apanhados desprevenidos, cobrindo as áreas mais sensíveis do corpo.

Os escultores do século XIX inspiraram-se nas esculturas antigas, mas procuraram introduzir elementos novos. O tema da figura acocorada é comum na obra de Carpeaux, autor central deste núcleo. A sua Flora, cujo modelo original em gesso se encontra presente na exposição, a par de uma versão posterior em mármore, inspira-se em dois modelos antigos: a Vénus na toilette e a Vénus emergindo das ondas. Esta combinação de temas pode ter sido inspirada na pintura, mas a tridimensionalidade torna-a inovadora, porque permite ao espectador observar a figura de diferentes pontos de vista. Flora mostra-se e esconde-se num evidente jogo de conotação sexual, convidando o visitante a contorná-la.

 

59280 Escultura Inv. 562 533x800
Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875). «Flora». Londres, 1873. Mármore. Museu Calouste Gulbenkian, inv. 562
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Jean-Baptiste Carpeaux (1827-175). «Flora». Paris, 1870. Gesso patinado. Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 1420
MIN 1356 07 533x800
Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875). «Rapariga com Concha». Paris, c. 1863-1864. Mármore Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 1356

Ao longo de todo o século XIX, o declínio demográfico e a mortalidade infantil mantiveram-se elevados em França. A representação da criança, assim como a da mãe de família, tornou-se por isso central, sobretudo a partir da década de 1870, após a guerra franco-prussiana.

As obras que compõem este núcleo, da autoria de Dalou, Carpeaux e Dubois, representam o tema da maternidade, recorrente ao longo da história da arte. Para a criação destas cenas de ternura, os escultores observaram as suas próprias famílias, encontrando os seus primeiros modelos nas mulheres e nos filhos. A Jovem Mãe do esboço de Carpeaux terá sido inspirada pelo seu filho mais velho, consolado pela mãe num momento de tristeza. Dalou também ficou conhecido pela criação de diversas cenas maternais, sendo Paysanne française o primeiro exemplo.

Contudo, estas cenas familiares vão buscar inspiração a modelos da tradição artística clássica, como as imagens da Virgem com o menino, ao colo ou amamentando, que surgem desde o século II da nossa era e têm influenciado os artistas até à atualidade.

 

MIN 1271 02 533x800
Paul Dubois (1829-1905). «Mãe com Duas Crianças». Paris, finais da década de 1860 (?). Gesso. Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 1271
MIN 0527 01 533x800
Paul Dubois (1829-1905). «Caridade». 1884. Mármore. Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 527
70196 Grupo Escultórico Inv. 565 533x800
Aimé-James Dalou (1838-1902). «Mãe Bretã». Londres, 1873. Gesso patinado. Museu Calouste Gulbenkian, inv. 565
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Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875), «Jovem Mãe». Paris, 1870 (?). Gesso. Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 1376

Qualquer escultura formada por mais do que uma figura constitui um grupo. Estas figuras podem estar lado a lado, distantes, ou a tocar-se, criando diferentes ligações entre os modelos representados.

Algumas célebres figuras entrelaçadas marcaram a história da arte, inspirando os escultores na criação das suas próprias composições. Rodin foi um dos escultores que trabalhou sobre este tema e encontramos, entre as obras selecionadas para este núcleo, exemplares de esculturas que representam relações distintas: a relação do casal, de que são exemplos as versões de mármore e bronze de A Eterna Primavera, ou a relação familiar, visível em Irmão e Irmã.

A obra de Puech também presente neste núcleo, Sereia Alada Arrebatando um Adolescente, introduz um outro tema: a descoberta e a incerteza do amor. Inspirada nas sereias da mitologia grega, que encantavam os marinheiros e os puxavam para águas perigosas, esta foi a primeira escultura adquirida por Calouste Gulbenkian. A Ny Carlsberg Glyptotek possui um exemplar posterior de maiores dimensões, o único mármore que mantém o tamanho do original criado pelo escultor, que será apresentado na exposição de Copenhaga.

 

MIN 1647 533x800
Auguste Rodin (1840-1917). «A Eterna Primavera». Paris, 1910. Mármore. Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 1647
53474 Escultura Inv. 28 533x800
Auguste Rodin (1840-1917). «A Eterna Primavera». Paris, 1888. Bronze. Museu Calouste Gulbenkian, inv. 28
Museu Calouste Gulbenkian, inv. 2083
Denys Pierre Puech (1854-1942). «Sereia Alada Arrebatando um Adolescente». Paris, 1899. Mármore. Museu Calouste Gulbenkian, inv. 2083
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Auguste Rodin (1840-1917). «Irmão e Irmã». Paris, c. 1900. Bronze. Museu Calouste Gulbenkian, inv. 569

Neste núcleo da exposição, retomamos um dos temas primitivos da arte: a figura de pé, parada ou em movimento. Ao contrário da figura acocorada, a figura de pé é mais frequentemente masculina do que feminina; contudo, as duas coleções apresentam exemplos que não são exclusivamente masculinos, como vemos em Rapariga com Bilha, de Bernard, uma das obras que fecha a exposição.

A influência do classicismo na escultura francesa manteve-se determinante até ao final do século XIX. Apolo de Houdon é um claro exemplo de inspiração clássica, na pose, no tema e no estilo: representando nu e em movimento, o deus do sol parece mais flutuar do que marchar.

Rodin também trabalhou o tema da figura de pé. Baseada num modelo vivo, A Idade do Bronze afirmou definitivamente a sua reputação enquanto escultor. Embora tenha procurado referentes clássicos, o escultor conferiu à estátua um elevado grau de realismo, em contraste com as superfícies mais lisas e homogéneas do ideal classicista da época. A Idade do Bronze encontra-se entre o primeiro conjunto de esculturas encomendadas por Jacobsen diretamente ao artista.

 

MIN 0606 533x800
Auguste Rodin (1840 -1917). «A Idade do Bronze». Paris (?), 1901. Bronze (François Rudier ?). Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 606
MIN 2762 533x800
Aristide Maillol (1861-1944). «O Jovem Ciclista». Paris, 1907 (?). Bronze. Ny Carlsberg Glyptotek, MIN 2762
INV-552_533x800
Jean-Antoine Houdon (1741-1828). «Apolo». Paris, 1790. Bronze. Museu Calouste Gulbenkian, inv. 552
INV 320_533x800
Joseph Bernard (1866-1931). «Rapariga com Bilha». Paris, 1910. Bronze. Museu Calouste Gulbenkian, inv. 320

PROGRAMAÇÃO COMPLEMENTAR

À conversa com a curadora Luísa Sampaio
Quarta, 21 de novembro, 15:00
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À conversa com os curadores Luísa Sampaio e Rune Frederiksen
Sexta, 26 de outubro, 17:00
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À conversa com Julião Sarmento e Rui Sanches
Sexta, 30 de novembro, 17:00
Com moderação de Penelope Curtis
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À conversa com Penelope Curtis, Amélie Simier, François Blanchetière e Arie Hartog
Sexta, 25 de janeiro, 17:00

Visitas orientadas
Sábados, 15 de dezembro, 5 e 19 de janeiro, 15:00
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Rodin era o ídolo da juventude escolar
Quarta, 5 de dezembro, 18:00
Com Lúcia Matos

Formas de Dizer
16 dezembro e 13 janeiro, 15:00
Com os alunos da Licenciatura em Dança da Faculdade de Motricidade Humana (UL)
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