Yto Barrada

Moi je suis la langue et vous êtes les dents

O projeto de Yto Barrada tem como ponto de partida a figura singular e trágica de Thérèse Rivière. Na década de 1930, a etnóloga francesa rumou à Argélia, às montanhas do Aurès, para estudar a etnia berbere Chaouis.

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Yto Barrada (Paris, 1971) é uma artista franco-marroquina que tem desenvolvido uma obra fortemente marcada pelas narrativas da história e das identidades, sobretudo a marroquina, na sua relação com o passado colonial e pós-colonial, uma geografia onde convergem o Sul e o Este, na sua relação com o Ocidente.

A artista traz ao Espaço Projeto um conjunto de trabalhos, alguns inéditos, que explora e prossegue o seu interesse pela figura histórica, singular e «trágica» da etnóloga francesa Thérèse Rivière (Paris, 1901-1970).

Entre 1935 e 1936, Rivière parte para a Argélia para estudar a etnia berbere Chaouias, na região dos Aurès. Os cadernos de anotações, desenhos e fotografias que produz, bem como a coleção de materiais e objetos que reúne, que se centram no quotidiano das mulheres e crianças, serão esquecidos, «apagados».

São estas narrativas e objetos «silenciados» que Yto Barrada resgata – que engole e regurgita –, num gesto de identificação e resistência contra a despossessão da palavra (da língua), seja ela a do sujeito colonizado ou a fundada na desigualdade de género, que podemos ver na obra Objets indociles (em cima).

A esta trama da História, Yto entrelaça narrativas familiares, as da sua própria família, numa ida e volta constante entre a história e as memórias individuais, como nas fotografias dos cadernos de anotação da avó (Telephone Books, em baixo) que, não escolarizada, criou uma linguagem de signos gráficos para identificar e registar os contactos dos seus familiares.

Sonia Delaunay, 'Le Coeur à Gaz', 1923. Inv. GE104
Sonia Delaunay,
«Le Coeur à Gaz», 1923. Centro de Arte Moderna
«Le Coeur à Gaz», 1923. Centro de Arte Moderna
José de Almada Negreiros, 'Costume for the ballet "A Princesa dos Sapatos de Ferro", 1918. Inv. DP3338
«Figurino», 1918. Centro de Arte Moderna
José de Almada Negreiro, «Costume», 1918. Inv. DP180
«Le Coeur à Gaz», 1923. Centro de Arte Moderna

Yto Barrada vive e trabalha em Nova Iorque. Foi cofundadora da Cinemateca de Tanger. Expõe regularmente desde 2003 em museus e instituições internacionais como o Walker Art Center (Minneapolis), o Barbican Centre (Londres), o Witte de With (Roterdão), Fundaciò Tàpies (Barcelona), o Jeu de Paume e o Centre Georges Pompidou (Paris), o Haus der Kunst (Munique), o MoMA (São Francisco e Nova Iorque), e a Bienal de Veneza (2007 e 2011).

Curadoria: Rita Fabiana


À conversa com a curadora Rita Fabiana e a artista Yto Barrada
Sexta, 8 fevereiro, 17:00
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À conversa com a curadora Rita Fabiana
Sexta, 8 março, 17:00
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Diálogo entre alguns objetos indisciplinados de Yto Barrada
Quarta, 13 março, 13:30
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Visitas para escolas e grupos organizados

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