17 Julho 2020

René Lalique e «A Cavalgada das Valquírias»

Partilhamos semanalmente uma história sobre a Coleção do Fundador. O mês de julho é dedicado às histórias musicais.

René Lalique, Capa de partitura «A Valquíria» (pormenor), 1893-1894. Marfim. Coleção do Fundador

A ópera A Valquíria, da autoria do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883), estreou em 1870 no Teatro Nacional de Munique, tendo sido bem recebida pelo público e pelos críticos. Trata-se da segunda e mais famosa parte da tetralogia O Anel do Nibelungo, cuja narrativa se baseou na mitologia nórdica e inspirou vários autores, desde a época em que foi criada até à atualidade.

A Cavalgada das Valquírias, que corresponde ao início do terceiro ato desta ópera, é, porventura, um dos trechos mais conhecidos, tendo sido usada em várias adaptações cinematográficas, como Apocalypse Now. Pelos paralelismos entre as duas narrativas, alguns especialistas acreditam que J. R. R. Tolkien terá sido influenciado pela tetralogia do compositor quando escreveu a trilogia O Senhor dos Anéis, embora o autor tenha negado estas alegações.

Em 1901, Calouste Gulbenkian comprou ao artista René Lalique (1860-1945), seu amigo, uma capa em marroquim verde destinada a guardar partituras. Provavelmente inspirada na ópera de Wagner, a decoração realizada em marfim representa uma cavalgada de valquírias, divindades femininas mencionadas em várias fontes oriundas da Escandinávia do século XIII. Segundo estas lendas, as valquírias escolhiam quem vivia e quem morria em batalha e levavam os defuntos para o «salão dos mortos», Valhala.

Esta terá sido a primeira obra em que o mestre joalheiro usou o marfim. Lalique ficaria conhecido por explorar materiais exóticos, pouco usuais na época, criando joias e objetos com um elevado grau de pormenor. Apresentada em 1894 na Secção de Escultura do Salon da Sociedade de Artistas Franceses, a capa demonstra a versatilidade do artista, incluindo motivos ao estilo Arte Nova, que iria caracterizar a sua produção.

Gulbenkian usava esta capa para guardar os desenhos da autoria de Lalique. Este objeto encontra-se atualmente em exposição na Coleção do Fundador, numa sala dedicada à obra do artista, sendo a peça central de uma vitrina que tem o marfim como protagonista.


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