França

Uma coleção com histórias: em 2020, partilhámos semanalmente uma história sobre a coleção de Calouste Gulbenkian. O mês de agosto foi dedicado às histórias de viagens.
René Lalique, Diadema «Galo» (pormenor), c. 1897-1898. Ouro, esmalte, chifre e ametista. Museu Calouste Gulbenkian

Não podemos falar de Calouste Gulbenkian e da sua coleção sem referir França, mais precisamente Paris, onde fixou residência no famoso hôtel particulier situado no coração da cidade, no n.º 51 da Avenue d’Iéna. Adquirido em 1922, o imóvel, que pertencera a outro grande colecionador, Rodolphe Khan, tornou-se não só a sua casa de família, mas também o seu museu particular, dotado de tecnologias que permitiam a exposição e conservação das suas obras. A remodelação do palacete contou com a colaboração de artistas de renome, como René Lalique e Edgar Brandt.

Alguns anos antes, Gulbenkian passara uma temporada em Marselha, onde estudara na Escola Superior de Comércio, em c. 1883-1884; mesmo antes de comprar o palacete, o colecionador alternava residência entre Londres e Paris. A sua ligação ao país é óbvia: se olharmos atentamente para as obras de arte europeia que Gulbenkian adquiriu, percebemos que há uma grande incidência em obras originárias de França, seja no núcleo de artes decorativas, nomeadamente peças de mobiliário e de ourivesaria, seja no conjunto de pinturas da autoria de grandes mestres franceses, como Degas, Manet ou Corot, seja na seleção de esculturas que fez, entre as quais se destacam os nomes de Houdon, Carpeaux ou Rodin.

Contudo, um dos núcleos franceses mais significativos da coleção é dedicado a René Lalique. Amigo próximo do artista, Gulbenkian adquiriu praticamente todas as obras diretamente a Lalique, com uma exceção. A primeira joia que comprou foi a placa de gargantilha Arvoredo, em 1899 – esta obra seria cedida para a Exposição Universal de 1900. Entre 1902 e 1904, Gulbenkian reuniu um número significativo de peças da autoria do mestre joalheiro, entre as quais o peitoral «Libélula», um dos ex-líbris da Coleção.

Em 1937, o seu gosto pela natureza levou-o a adquirir uma vasta propriedade na Normandia, «Les Enclos». Tratava-se de um terreno de 34 hectares, onde construiu um enorme jardim que se tornou no seu refúgio – mesmo depois de se mudar para Portugal, o colecionador continuou a receber fruta fresca dos seus pomares franceses.

Édouard Manet, «O Rapaz das Cerejas» (pormenor), c. 1858. Óleo sobre tela. Museu Calouste Gulbenkian
Jean-Baptiste Carpeaux, «Flora», 1873. Mármore. Museu Calouste Gulbenkian

Calouste Gulbenkian viveu em França até 1942, quando a Segunda Guerra Mundial o obrigou a repensar a permanência no país. O plano inicial seria mudar-se, juntamente com a sua família e a sua coleção, para os Estados Unidos; no entanto, a sua passagem por Lisboa acabou por se tornar definitiva.

Foi no Hotel Aviz, na capital portuguesa, que viveu os últimos anos da sua vida, até 1955. A delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian instalou-se, inicialmente, na sua residência da Avenue d’Iéna, embora atualmente esteja sediada no n.º 54 do Boulevard Raspail.


Uma Coleção com Histórias

Em 2020, partilhámos semanalmente uma história sobre a coleção de Calouste Gulbenkian. Os artigos desta rubrica referem-se à coleção do Museu Calouste Gulbenkian como Coleção do Fundador.

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Atualização em 06 maio 2022

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