Jorge Molder

Jorge Molder nasce em Lisboa, onde vive e trabalha. Frequenta o curso de filosofia na Universidade de Letras de Lisboa, planeando inicialmente enveredar por uma carreira académica de professor e investigador, que cedo decide não seguir. O interesse pela fotografia, que cultiva desde cerca dos 17 anos, será assumido de forma mais sistemática e constante depois de terminar o curso em 1965, altura em que dará início ao seu percurso artístico, apresentado pela primeira vez individualmente na exposição intitulada Vilarinho das Furnas (Uma Encenação), Paisagens com Água, Casas e Um Trailer, de 1977.

Como primeira premissa do seu trabalho fotográfico, destaca-se o seu desdobramento em séries, nas quais os títulos assumem um especial papel evocativo, definindo e organizando esses universos de pesquisa. Começará a recorrer à auto-representação, enquanto processo, nos anos 80 com a série Autoportraits de 1979-87, apresentados nas Journées de la Photographie et de l'Audiovisuel em Montpellier. Na década de 90, o problema e a ambivalência da auto-representação atingirá novas vertigens, suscitadas pela série The Secret Agent (1991), quando o artista começa a explorar a criação de personagens e entidades distintas, imersas em episódios ficcionados. Autores como Samuel Beckett, Joseph Conrad, Lucian Freud, Magritte, Francis Bacon, Pistoletto, serão algumas das influências mais expressivas nestes trabalhos.

 

Ao longo da sua abrangente produção fotográfica, Molder explorará amplamente as potencialidades da fotografia a preto e branco, mas não deixará ainda assim de convocar a cor, em dimensões especificas, tais como as polaroids, as fotografias digitais, e o registo vídeo.

 

Jorge Molder foi o representante português na Bienal de S. Paulo em 1994 e da Bienal de Veneza em 1999, um momento marcante no seu reconhecimento internacional. Em 2006, a Fundação Telefónica de Espanha, apresentará uma exposição retrospectiva do seu trabalho, que será premiado no ano seguinte, pela Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura.

 

Desde 1990, Jorge Molder esteve também ligado à Fundação Calouste Gulbenkian, tornando-se em 1993, o director do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, cessando em 2009 essa função. Doará à mesma instituição duas séries de trabalhos, O Pequeno Mundo e Não tem que me contar seja o que for.

 

 

Catarina Crua

Maio de 2010