Gillian Ayres

Nasceu em Londres. Estudou na Camberwell School of Art (1946-1950) e trabalhou na AIA Gallery (1951-1959), onde conheceu o artista Henry Mundy, com quem se casou. Foi a única mulher a participar nas exposições da “Situation” em Londres (1960 e 61), mas ao contrário dos seus amigos Roger Hilton, Robyn Denny e Howard Hodgkin, que apresentaram abstracções sóbrias e hard-edged, as pinturas de Ayres eram de ordem gestual, muito coloridas e informais. Após ter visto as fotografias de Jackson Pollock a trabalhar no chão, nos anos 50, decidiu igualmente trabalhar sem pincéis, criando a partir dos movimentos físicos do seu corpo, contrariando os métodos tradicionais da pintura de cavalete. Esta assimilação rápida e perspicaz das experiências abstractas da Europa pós-guerra, sobretudo do tachismo, e do Expressionismo Abstracto norte-americano que começava a ser exposto em Londres, permitiram-lhe forjar uma linguagem artística pessoal e imediatamente reconhecível.

Apesar de se ter dedicado aos acrílicos durante uma década, retoma a pintura a óleo no final dos anos 70, inspirada por Hans Hofmann, com abstracções líricas que privilegiavam o papel decorativo das suas formas internas, em formatos simples, como quadrados ou círculos, recuperando a energia e o colorido das suas obras iniciais, num empenhamento tal com a pintura que, quando dava aulas, os seus colegas recomendavam aos alunos: “Não lhe dêem atenção, ela vai fazer com que queiram pintar” [“Don’t listen to her, she’ll make you want to paint.”]

 

Ensinou na Bath Academy of Art (1959-1965), na St Martin’s School of Art (1965-1978), e foi Director de Pintura na Winchester School of Art (1978-81). Recebeu a Order of the British Empire (1986), e foi eleita Royal Academician (1991), embora se tenha demitido temporariamente por causa da controversa exposição Sensation (1997). Tem um doutoramento honoris causa pela London University (1994), foi nomeada “Senior Fellow” do Royal College of Art (1996) e Membro Honorário da London's University of the Arts (2005). Vive e trabalha na Cornualha e em Londres.

 

 

Afonso Ramos