Pintura e Escultura na galeria de arte francesa do século XVIII

De Largillièrre a Houdon, passando por Fragonard e Caffieri, a conservadora Luísa Sampaio escreve-nos sobre as obras de pintura e escultura que terão lugar na renovada galeria de arte francesa do século XVIII.
Jean-Honoré Fragonard, «A Ilha do Amor». França, c. 1770. Óleo sobre tela. Museu Calouste Gulbenkian

A pintura francesa ocupa um lugar de destaque no espaço que agora se renova na Galeria de Artes Decorativas Francesas do século XVIII. A obra «Retrato de Thomas Germain e a sua Mulher», de Nicolas de Largillièrre conhecerá uma nova apresentação, sendo desde logo visível a partir do núcleo de ourivesaria francesa, que será objeto de uma alteração significativa nesta renovação. Esta pintura constitui um excelente exemplo de «retrato de artista em ateliê», género caro à pintura francesa de Setecentos. Atenção especial merecerá de novo «Retrato de Louis Duval de L’Épinoy», de Maurice-Quentin de La Tour, considerado no Salon de Paris de 1745 «o triunfo da pintura a pastel». Também o retrato de aparato se faz representar através de «Retrato do Marechal Duque de Richelieu», de Jean-Marc Nattier, obra que ocupou na casa do Colecionador, em Paris, o centro da grande galeria de pintura.

 

Maurice-Quentin de La Tour, «Retrato de Duval de l’Epinoy». França, 1745. Pastel. Museu Calouste Gulbenkian
Nicolas de Largillierre, «Retrato de Monsieur e Madame Thomas Germain». França, 1736. Óleo sobre tela. Museu Calouste Gulbenkian

A paisagem francesa inclui igualmente neste período obras de qualidade ímpar, de que é exemplo absoluto «A Ilha do Amor», de Jean-Honoré Fragonard, composição fantasista realizada cerca de 1770 em homenagem a Antoine Watteau. Fruto da imaginação do artista, a obra, inicialmente descrita como «vista de um jardim pitoresco», constitui uma renovação notável do tema da festa galante inserida num jardim irreal.

Hubert Robert, desenhador dos jardins do rei Luís XVI a partir de 1777, que mereceu na década de 1920 particular atenção por parte do Colecionador, faz-se representar neste sector através de um par de pinturas que documentam a renovação dos jardins de Versalhes: «Le Tapis Vert» e «Le Bosquet des Bains d’Apollon», ambas adquiridas por Calouste Gulbenkian ao Museu Hermitage, em São Petersburgo, em 1929.

 

Hubert Robert, «Le Tapis Vert». França, c. 1775-1777. Óleo sobre tela. Museu Calouste Gulbenkian

A galeria apresenta ainda uma obra de um género particularmente em voga em França no século XVIII, «Festa Galante», uma tela da autoria de Nicolas Lancret, que no passado pertenceu à coleção de Frederico, o Grande, rei da Prússia. Merece finalmente referência uma pintura de François Boucher, «Cupido e as Três Graças», composição inspirada na mitologia clássica que ocupou um lugar central no Salon Boucher, na residência do Colecionador em Paris, e que merece agora justificada releitura.

 

François Boucher, «Cupido e as Três Graças». França, 1738. Óleo sobre tela. Museu Calouste Gulbenkian

Na escultura, alguns grandes nomes do século XVIII francês como Clodion, Pigalle, Lemoyne e Caffieri povoarão a galeria com obras de pequena dimensão ou bustos em terracota.

 

Atribuído a Claude Michel, chamado Clodion, «Ninfa e Sátiro». Paris, 1764. Terracota. Museu Calouste Gulbenkian
Jean Baptiste II Lemoyne, «Busto de Robbé de Beauveset». Paris, 1756. Terracota. Museu Calouste Gulbenkian

 A apresentação termina na transição para a galeria do século XIX, no espaço especialmente consagrado à representação em mármore de tamanho natural de «Diana» de Jean-Antoine Houdon, obra-prima do neoclássico francês executada em 1780, e proveniente da Coleção de Catarina II da Rússia.

 

Jean-Antoine Houdon, «Diana» (pormenor). França, 1780. Mármore. Museu Calouste Gulbenkian

Luísa Sampaio
Conservadora do Museu Calouste Gulbenkian

Atualização em 05 abril 2022

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