Novas obras em exposição na Galeria do Renascimento do Museu

Um conjunto de livros, duas vestes religiosas e um baixo-relevo são as novidades que o público poderá encontrar a partir de dezembro nas vitrinas da Galeria do Renascimento do Museu.
«Statuts des Conseillers d' État de Venise, contenant les devoirs et obligations de leur charge (en italien)» (pormenor). Texto de Marino Grimani (1532-1605), doge [primeiro magistrado] de Veneza, oferecido ao Conselheiro de Estado Giovanni Sanudo. Veneza, 1598. Manuscrito sobre velino, folha de ouro. Museu Calouste Gulbenkian

Nas vitrinas da Galeria do Renascimento do Museu apresenta-se uma renovada mostra de objetos dos séculos XVI e XVII. Um conjunto de seis exemplares da coleção de livros reunida por Calouste Gulbenkian espelha a mestria da produção livreira a decorrer na época.

À medida que a imprensa se consolidava na Europa, também as oficinas de encadernação se tornavam progressivamente mais sofisticadas. A larga influência oriental que se vai refletir na produção da República de Veneza será fundamental no desenvolvimento da arte do livro deste período. Provenientes de Itália, mas também de França e da Alemanha, estes livros formam uma seleção diversa, que se expande desde o livro de Horas à poesia de Petrarca.

 

«Instructions données par Marino Grimani à Zuanne Lipomanno, nommé capitaine (gouverneur) de Candie». Veneza, 1597. Manuscrito sobre velino; encadernação veneziana ornamentada ao estilo oriental. Museu Calouste Gulbenkian
Francesco Petrarca, «[Opera] Librorum Francisci Petrarche Impressorum Annotatio». Venetiis [Veneza]: Andree Torresani de Asula per Simonem de Luere, 1501. Impresso sobre papel; Encadernação em marroquim, c. 1550. Museu Calouste Gulbenkian

 

A República de Veneza, a par de Florença e Génova, será também um dos centros onde a produção italiana de tecidos preciosos atingirá um desenvolvimento sem precedentes à época. Devido à complexidade envolvida na sua execução, estes tecidos acabavam por se tornar exclusivos de uma elite social e religiosa. É neste contexto que são realizadas as duas casulas que agora se expõem no Museu. Este acessório litúrgico era utilizado unicamente por sacerdotes para celebração da missa e começou, por isso, a tornar-se um objeto de luxo destinado a um nicho dentro da hierarquia clerical. O veludo, símbolo de riqueza e poder, foi um dos tecidos privilegiados na sua produção.

 

Casula. Itália, Génova, final do século XVI. Veludo de seda e fio de prata. Museu Calouste Gulbenkian
Casula. Itália, Génova, final do século XVI. Veludo de seda e fio de prata. Museu Calouste Gulbenkian

 

Em exposição encontramos também um baixo-relevo com a representação do anjo Gabriel no momento da Anunciação. O dinamismo da figura anuncia já o movimento que se irá consolidar mais tarde, e em plenitude, no Barroco.

 

«Gabriel, o Anjo da Anunciação» (pormenor). Itália (?), século XVI-XVII. Madeira de ulmeiro. Museu Calouste Gulbenkian
Atualização em 23 dezembro 2021