FCG Secção: Música

Jazz em Agosto 2018

Pela primeira vez na sua história, toda a programação do Jazz em Agosto organiza-se um torno de um só músico. E dificilmente a escolha poderia recair sobre um nome mais marcante – quer para a história do festival quer para o percurso fundamental da música que pudemos escutar nas últimas décadas. John Zorn é esse músico, com uma profunda marca autoral, com uma atividade tão fecunda quanto variada, tão essencial como banda sonora para este tempo que se tornou um símbolo indesmentível não apenas da vanguarda artística nova-iorquina, como criador, mas também como desbravador de novos territórios e congregador de uma comunidade que gira à sua volta.

 

Dadas as naturais características criativas de John Zorn, tratando-se de um músico que traz consigo muitos outros músicos, com os quais tem uma cumplicidade especialmente apurada, e uma miríade de estilos e abordagens à sua vastíssima obra, a sua presença neste Jazz em Agosto significa também a possibilidade de ouvir gente tão talentosa quanto Milford Graves, Marc Ribot, Mary Halvorson, Dave Douglas, Kris Davis, Craig Taborn, Ikue Mori, Trevor Dunn, Barbara Hannigan e tantos outros nomes que são presença habitual nas edições da sua editora, a Tzadik. Mas implica ainda a programação de um ciclo de cinema ao qual está ligado de uma forma muito direta e a imagem gráfica do festival entregue à designer Heung-Heung Chin, responsável pelo fortíssimo impacto visual de tantos dos seus álbuns.

 

A novidade, no entanto, não se encontra apenas do lado do Jazz em Agosto. Também John Zorn, que tem organizado, em algumas cirúrgicas ocasiões, mostras concentradas da sua música através, nomeadamente, da interpretação por vários ensembles do seu Book of Bagatelles (300 peças de curta duração compostas em 2015), nunca anteriormente o músico tinha sido objeto de uma tão completa e exclusiva apresentação. O que torna por isso este Jazz em Agosto um acontecimento de contornos especialíssimos para todos os envolvidos e com uma relevância que, em consonância com o apelo crescente do festival além-fronteiras, alastra, sem qualquer dúvida, para um amplo contexto internacional.

 

A festa não podia assim ser mais entusiástica e vir acompanhada de convite mais efusivo. Este ano, há Zorn em Agosto!