Roots Magic

Take Root Among The Stars

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Podem as histórias de encruzilhadas, de hecatombes amorosas, de trabalhos físicos árduos nos campos de algodão e nos caminhos-de-ferro e de relações de opressão estar na essência dos blues e da música popular norte-americana. Mas isso não impede que encontrem um eco universal em músicos do outro lado do Atlântico, como acontece de forma sublime com os italianos Roots Magic – um quarteto editado pela portuguesa Clean Feed – que, em ocasiões especiais como esta, é expandido para sexteto. Partindo de um cardápio de temas da autoria de Skip James, Charley Patton, Sun Ra ou Ornette Coleman, os blues surgem aqui em toda a sua dimensão espiritual e na sua linhagem africana, reenquadrados, a espaços, por um léxico próprio do free jazz. Uma música que, em vários sentidos, ignora fronteiras.


Programa

Alberto Popolla Clarinetes
Errico De Fabritiis Saxofone alto
Gianfranco Tedeschi Contrabaixo
Fabrizio Spera Bateria
Eugenio Colombo Flauta
Francesco Lo Cascio Vibrafone

O chão e o horizonte dos italianos Roots Magic está nos blues. Os propriamente ditos, rurais, profundos, de Charley Patton, Blind Willie Johnson e Skip James, e as adopções que delas fez a música que representou historicamente o “black is beautiful” e o “black power”, a de Roscoe Mitchell, Julius Hemphill, Henry Threadgill, Sun Ra, Ornette Coleman, John Carter, Charles Tyler ou Kalaparusha Maurice McIntyre, alguns dos nomes de que fazem covers muito próprias. É toda uma ideia de libertação, de igualdade, de emancipação pela música que este grupo de Roma abraça, assumindo todas as implicações políticas decorrentes. A lógica não é simplesmente de interpretação ou de releitura passivas, mas de transposição ou de prolongamento para a actualidade, numa atitude criativa que não apenas de celebração, o que passa pela introdução de composições próprias dentro dos temas originais. Cada disco do projecto sublinha a presente condição desta música de origem afro-americana que se tornou universal e é tocada em todo o mundo, para além de inspirar outras músicas logo desde os começos do século XX. É a música das raízes que ainda permanecem vivas nos dias de hoje, do respeito que lhes é devido e do alcance que ainda podem ter.

Pelo caminho, os Roots Magic somam o sentido de inconformismo e de invenção da contemporaneidade ao inconformismo e à invenção que foram os dos seus autores no passado, num investimento em que a emoção e o amor pela música significam mais do que quaisquer intuitos musicológicos ou estéticos. Não se trata de “fazer história” ou de a narrar, mas de direccionar o contínuo temporal iniciado pelos blues e exponenciado pelo free jazz para o futuro, tornando claro de onde a música vem, por onde passou e o que ainda se pretende que ela seja até sermos todos livres e iguais.

Rui Eduardo Paes

 


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