James Brandon Lewis Quartet

Molecular

Slider de Eventos

A inspiração para o novo quarteto do saxofonista James Brandon Lewis (fundador dos Heroes Are Gang Leaders) é, no mínimo, original. Músico omnívoro nos seus interesses, Lewis deixou-se seduzir pela biologia molecular e com base nas suas pesquisas desenvolveu um sistema musical particular para a criação do reportório composto com esta formação em mente. Para alguém que já se tinha afirmado nos últimos anos como um dos nomes mais criativos do jazz e da música improvisada, alimentando o seu discurso das mais variadas e inesperadas referências, este Molecular representa, ainda assim, um bálsamo de irresistível novidade.


Programa

James Brandon Lewis Saxofone tenor
Aruán Ortiz Piano, Fender Rhodes
Brad Jones Contrabaixo
Chad Taylor Bateria, Mbira

Já conhecido do público do Jazz em Agosto pelo seu trabalho com o colectivo Heroes Are Gang Leaders, James Brandon Lewis vem tendo um percurso ascensional em nome próprio que se caracteriza pela constante exploração de novas ideias. No caso do projecto “Molecular” está o desenvolvimento de um processo a que chama Molecular Systematic Music, que vai buscar referência e inspiração à biologia molecular e à estrutura do ADN. Porque este consiste, para todos os efeitos, em código fixo, a sua música é, em concordância, também escrita, mas com particularidades que lhe servem o propósito de lhe conceder toda a liberdade. Como afirma, «as linhas apenas ditam a informação harmónica», garantindo assim que os sons «levantem voo a partir das páginas». Se as suas explorações das capacidades tonais do saxofone tenor com a propulsão de John Edwards e Mark Sanders por detrás foram realizadas em contexto de improvisação, o enfoque agora é totalmente outro e igualmente aliciante. Momentos há de não-apologética excentricidade, mas as raízes do que ouvimos estão solidamente enterradas na tradição do jazz.

Nas composições moleculares de Brandon Lewis reconhecemos os ingredientes que têm sido os do jazz ao longo de décadas: ritmos latinos, fórmulas vindas do gospel e elementos do rock e do hip-hop combinam-se com um imaginário pós-coltraneano e com uma aguda consciência das heranças de várias vanguardas, as estranhas a este género musical incluídas. Polirritmias, intensidade expressiva e beleza temática são alguns dos vectores identificatórios do conceito explorado, com entregas que não temem os recursos historicamente mais estabelecidos, como o clássico solo ou os jogos de pergunta e resposta. Eis uma música que nos interpela a mente, tanto quanto nos convida para dançar.

Rui Eduardo Paes 

 

Ouvir álbum


Parceiros

Rádio Oficial