Gabriel Ferrandini

Hair of The Dog

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Na sequência de uma série de concertos que pensou e preparou ao longo de um ano na Galeria Zé dos Bois, um ciclo intitulado Volúpia das Cinzas, o baterista Gabriel Ferrandini assumiu o seu primeiro álbum como líder e criou o projeto Volúpias. Segue-se agora Hair of the Dog, publicado pela nova editora Canto Discos, primeiro álbum a solo de Ferrandini, no qual espalha a sua criatividade indomada por bateria, percussão e eletrónica, vincando o quanto a sua prodigiosa técnica nunca se impõe a uma musicalidade sem rédeas. Um disco que tanto incorpora as ferramentas do jazz quanto as qualidades da música contemporânea, com doses iguais de composição em tempo real e de apurado trabalho de estúdio, que passa agora a conhecer vida de palco.


Programa

Gabriel Ferrandini Bateria, Percussão, Amplificadores
Miguel Abras Eletrónica
Vasco Futscher Escultura
Helder Nelson Técnico de som

“Hair of the Dog” é o resultado de um trabalho de pesquisa das propriedades da bateria quando a esta são associados uma microfonia activa e de proximidade e o tipo de amplificação do pequeno que é geralmente utilizado apenas com a guitarra eléctrica, implicando conceitos de produção e todo um labor preparativo de estúdio. Tratando-se de um solo de Gabriel Ferrandini e de um live act, para ser o que é este projecto vem tendo as colaborações como co-produtor de Miguel Abras e como técnico de som (e responsável pelos processamentos de sinal) de Pedro Tavares. Se tudo começou, em 2017, com o espectáculo “Tudo Bumbo”, a distância percorrida até ao disco agora apresentado, lançado em 2021, e até este concerto coloca o baterista num posicionamento bem distinto do que lhe conhecemos com o Red Trio ou com o Rodrigo Amado Motion Trio. Mais distante do jazz enquanto linguagem com parâmetros definidos de determinados modos, mas tendo-o ainda como fundamento, nele reflectido está ainda o interesse paralelo de Ferrandini pelo rock e as suas experiências com Thurston Moore (Sonic Youth), Alex Zhang Hungtai (Dirty Beaches) e os Caveira de Pedro Gomes.

Se o microfone é o primeiro dos instrumentos electrónicos, como ficou patente com o uso que dele fez a musique concrète e com o desenvolvimento da electroacústica e da acusmática desde o pioneirismo de Pierre Schaeffer e Pierre Henry, é particularmente interessante que Ferrandini não tivesse querido sair do âmbito instrumental, fixando-se pelo contrário naqueles aspectos do jogo baterístico que são menos evidentes, mas que, quando puxados para cima, revelam um outro mundo sonoro. Depois do labor de laboratório, eis então a performance dessa outra bateria que antes andava escondida, assim alterando o nosso entendimento das dinâmicas na música.

Rui Eduardo Paes

 


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